Um estudo pioneiro sobre libélulas e donzelinhas nos Gates Ocidentais da Índia revelou descobertas que são igualmente fascinantes e alarmantes – o que é basicamente todo estudo ambiental hoje em dia.

A pesquisa, financiada pelo Departamento de Ciência e Tecnologia do governo indiano e conduzida ao longo de dois anos (2021-2023) em cinco estados indianos, identificou 143 espécies de libélulas e donzelinhas nos Gates Ocidentais, com pelo menos 40 endêmicas da região. Mas aqui está a reviravolta: os pesquisadores não conseguiram encontrar 79 espécies adicionais anteriormente relatadas lá, representando um declínio de quase 35% na contagem de espécies.

Pankaj Koparde, o ecologista evolucionário que liderou o estudo, oferece duas possibilidades: ou essas espécies são extremamente raras ou sazonais e foram perdidas, ou – a opção menos alegre – algumas delas foram extintas.

"Libélulas e donzelinhas são bons indicadores da saúde de uma região", diz Koparde. "Consequentemente, quando seus números caem, pode sinalizar a potencial degradação de um ecossistema." Tradução: quando os insetos desaparecem, todo o bairro está encrencado.

Os Gates Ocidentais – um Patrimônio Mundial da UNESCO e uma cordilheira de 1.600 km ao longo da costa oeste da Índia – é uma das zonas úmidas mais importantes do país, lar de pelo menos 325 espécies globalmente ameaçadas e mais de 30% da vida vegetal e animal da Índia. Também está sob séria pressão: a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) classificou-o como "preocupação significativa" em seu relatório de 2025, citando urbanização, expansão agrícola, pastoreio de gado, desenvolvimento de infraestrutura (moinhos de vento e barragens, estamos olhando para vocês), espécies invasoras e mineração.

As más notícias não param por aí. Um estudo de 2025 descobriu que uma população de raras rãs-galáxia desapareceu depois que fotógrafos pisoteavam seu delicado habitat de chão de floresta. Um estudo de 2024 mostrou práticas agrícolas ameaçando espécies de rãs. E um levantamento de aves de 2023 notou um declínio de 75% em 12 espécies de aves endêmicas. Os Gates Ocidentais são basicamente um paciente de biodiversidade em estado crítico.

Koparde e sua equipe caminharam por margens de rios cobertas de musgo e pântanos de mangue para conduzir o estudo, descobrindo sete novas espécies de libélulas e donzelinhas ao longo do caminho. Eles nomearam uma Protosticta armageddonia – uma referência ao "armagedom ecológico", o termo para declínios catastróficos de populações de insetos em todo o mundo. Porque nada diz "estamos encrencados" como nomear um inseto em homenagem ao apocalipse.

A equipe agora está criando uma biblioteca genética de todas as espécies documentadas, o que pode ajudar a traçar origens evolutivas. Dado que os Gates Ocidentais se formaram quando o supercontinente Gondwana se separou durante o Período Jurássico, cerca de 150 milhões de anos atrás – mais velho que o Himalaia – as espécies lá podem ter raízes que remontam àquela massa de terra antiga. Como Koparde coloca, "As espécies que existem lá podem ter raízes evolutivas no supercontinente Gondwana."

Então, enquanto libélulas e donzelinhas estão desaparecendo, pelo menos sabemos que elas existem desde antes da Pangeia se separar. Pequeno consolo, mas pegamos o que podemos.