Em um desenvolvimento que não surpreenderá ninguém que acompanhou a pesquisa em visão na última década, cientistas conseguiram restaurar a visão em camundongos cegos usando um conjunto de colírios experimentais. Os camundongos, presumivelmente, estão encantados. O resto de nós só pode esperar que o tratamento funcione tão bem em humanos, porque a alternativa - tropeçar pela vida com uma bengala e um cão-guia - está ficando velha.

A pesquisa, liderada pelo Instituto de Bioengenharia da Catalunha (IBEC), tem como alvo a degeneração dos fotorreceptores, a culpada por trás da degeneração macular relacionada à idade (DMRI) e da retinite pigmentosa (RP). Essas duas condições sozinhas afetam cerca de 200 milhões de pessoas em todo o mundo e representam uma das principais causas de deficiência visual e cegueira. E não vamos esquecer o fardo econômico anual de US$ 400 bilhões, porque nada diz 'qualidade de vida' como uma etiqueta de preço.

A nova abordagem usa drogas de pequenas moléculas fotossensíveis, apelidadas de prosthe6, que podem ser administradas por injeção ou até mesmo por colírio. Sem terapia genética, sem dispositivos implantados - apenas uma molécula que muda de forma quando atingida pela luz, agindo essencialmente como um substituto para os fotorreceptores que desistiram. Os compostos têm como alvo as células bipolares ON na retina, que normalmente recebem sinais dos fotorreceptores, mas ficam no escuro quando essas células morrem. Ao se ligarem a uma proteína chamada mGlu6, as moléculas reativam o circuito visual, permitindo que a retina responda à luz novamente.

Em testes, larvas de peixe-zebra cegas recuperaram seu reflexo optocinético - o que é um termo chique para 'eles podiam rastrear listras em movimento', e camundongos cegos com modelos de DMRI e RP espontaneamente começaram a evitar áreas bem iluminadas, um comportamento que requer um sistema visual funcional. O efeito começou em níveis de iluminação comparáveis a um dia nublado ou iluminação interna, o que significa que não há necessidade de feixes de laser ou óculos especiais. Dois compostos, prosthe6-12 e prosthe6-15, foram particularmente promissores, funcionando tanto quando injetados quanto quando aplicados como colírio.

'Essas moléculas não curam a cegueira, porque não abordam a causa da degeneração dos fotorreceptores', disse Pau Gorostiza, Professor de Pesquisa ICREA no IBEC e co-líder do estudo, em uma declaração que deve tranquilizar qualquer pessoa preocupada com promessas exageradas. 'Mas são notavelmente eficazes em restaurar a visão, e o fazem usando uma abordagem muito simples e potencialmente amigável ao paciente.'

A equipe, que inclui colaboradores da Universidade de Alcalá (UAH), do Instituto de Química Avançada da Catalunha (IQAC-CSIC), da Universidade de Barcelona (UB), do Instituto Ramón y Cajal de Pesquisa em Saúde (IRYCIS), da Universidade Autônoma de Barcelona (UAB) e da Fundació Eduard Soler, publicou as descobertas no Journal of the American Chemical Society (JACS). O trabalho se baseia em mais de uma década de pesquisa e segue o primeiro ensaio clínico de uma droga fotofarmacológica para restauração da visão, sugerindo que o campo está se aproximando do uso no mundo real.

A tecnologia prosthe6 é patenteada, e a equipe agora está estudando sua segurança e formulação, com o objetivo de estender a duração da visão restaurada. Eles também estão trabalhando com a Eyelumina, uma spin-off em formação, para garantir investimento para desenvolvimento translacional e futuros ensaios clínicos.

'Transformar isso em uma terapia é um processo longo e trabalhoso', admitiu Gorostiza. 'Mas os resultados mostram que há uma possibilidade realista de restaurar visão de alta qualidade com drogas, não invasivamente, reversivelmente e com um mecanismo que é independente do distúrbio retinal específico ou mutação genética para alcançar a maioria dos pacientes.'

Se a abordagem der certo em humanos, ela pode oferecer uma alternativa amplamente acessível e acessível às atuais tecnologias de restauração da visão, particularmente para aqueles com degeneração retinal avançada que atualmente não têm opções eficazes. O projeto recebeu financiamento inicial da fundação de pacientes Fundaluce (2016), CaixaHealth (Drug4sight, 100010434), do Governo de C