Lembra do otimismo de 2021, quando o Programa Nacional de Infraestrutura de Veículos Elétricos (NEVI) deveria transformar os EUA num paraíso dos VEs? Ah, bons tempos. A iniciativa de US$ 5 bilhões era a resposta do governo Biden à pergunta: "Como conseguimos 500 mil pontos de recarga públicos até 2030?" Pete Buttigieg, então secretário de transportes, declarou que isso "nos ajudaria a vencer a corrida dos VEs". Aí a corrida furou o pneu.
Avançando: A equipe de Biden demorou uma eternidade para escrever as regras, mal distribuindo dinheiro antes de Donald Trump voltar ao cargo. Trump congelou os fundos imediatamente e vem defendendo essa decisão na justiça desde então. Você pode achar que o NEVI morreu na praia como uma bateria ruim. Mas um relatório do Sierra Club esta semana diz o contrário. Em 2025, os estados realmente gastaram US$ 94 milhões em projetos — mais que o dobro dos US$ 44 milhões de 2024. Isso se traduz em centenas de novos pontos de recarga, com acordos para milhares mais. Nada mal para um programa que a atual administração parece odiar.
Onde está a ação? Pensilvânia e Ohio lideram em financiamento do programa, porque se organizaram cedo. A Califórnia, apesar de seu tamanho, só conseguiu US$ 920 mil. Tanto para a superioridade costeira. Ainda assim, mais de 95% dos US$ 5 bilhões originais permanecem não gastos, graças a batalhas legais sobre o congelamento federal. "Muito mais urgência, responsabilidade e ação são necessárias", disse Josh Stebbins, advogado do Sierra Club, num e-mail. Ele faz parte dos processos contestando o congelamento — um dos quais (Washington v. Departamento de Transportes dos EUA) viu 17 estados e grupos ambientais argumentarem com sucesso que o governo Trump violou a lei. Uma decisão de 23 de janeiro ordenou a retomada do financiamento.
O primeiro projeto financiado pelo NEVI fica num Pilot Travel Center em London, Ohio — a uma curta distância de carro deste repórter. Quatro pontos de recarga, os mesmos de 2023, e ninguém os usava durante minha visita. Mas na rua, no TA Travel Center (não financiado pelo NEVI), conheci Chip e Cathy Lillyman, de Celina, Ohio, relaxando em seu Lexus RZ 450e enquanto carregavam. Chip, um dono de funilaria aposentado, citou os altos preços da gasolina (US$ 4,29 naquele dia) como motivo para comprar um VE. Ele se lembra do embargo de petróleo dos anos 1970 — "Trabalhei num posto de gasolina naquela época", disse ele. Os Lillyman trocaram seu Honda CR-V pelo Lexus na semana passada e planejam carregar principalmente em casa.
Em março, os EUA tinham 170.158 pontos de recarga públicos de nível 2 e 69.630 pontos de recarga rápida DC, ante 81.601 e 17.231 cinco anos antes. Mas a contribuição do NEVI é um pontinho — a maior parte do crescimento vem de investimento privado e programas estaduais/locais. A meta da era Biden de 500 mil pontos até 2030 ainda está ao alcance, mesmo que a atual administração continue jogando areia. Enquanto isso, os VEs estão atingindo pontos de inflexão na China, Sudeste Asiático e Europa, segundo o Financial Times. Nos EUA, o custo médio de um carro novo era de US$ 51.456 em março, enquanto montadoras chinesas oferecem VEs por cerca de US$ 10 mil. E o governo Trump concordou em pagar mais duas empresas — Bluepoint Wind e Golden State Wind — para abandonar arrendamentos de energia eólica offshore, totalizando cerca de US$ 900 milhões. Porque nada diz "independência energética" como pagar empresas para não construir energia renovável.