ONU Lembra Mundo Que Bebês Não Verificam Agenda de Terremotos Antes de Chegar
O UNFPA relata que terremotos não param o parto, mas hospitais danificados e déficits de financiamento podem. Eles precisam de US$ 10 milhões; apenas 40% arrecadados até agora.
Um mês após dois terremotos gêmeos arrasarem partes da Venezuela, a ONU fez um lembrete contundente de que o caos da natureza não pausa a biologia humana. Paula Narvaez, Diretora Regional do UNFPA para a América Latina e o Caribe, informou jornalistas em Nova York na sexta-feira, pintando um quadro de crise onde 5.000 pessoas estão mortas, 23.000 deslocadas e um número desconhecido de mulheres tenta dar à luz em clínicas cheias de escombros.
"Estatísticas sozinhas não conseguem capturar o custo humano", disse Narvaez do Chile, provando que até mesmo funcionários da ONU sabem que números não sangram. Ela visitou La Guaira, onde famílias perderam tudo, mas de alguma forma mantiveram sua determinação de reconstruir — uma reviravolta que se repete em toda zona de desastre.
"Testemunhei algo que se repete em toda emergência: mulheres organizando espaços seguros para suas famílias, e socorristas na linha de frente trabalhando incansavelmente apesar de também serem pessoalmente afetados", relatou ela, essencialmente descrevendo a força de trabalho mais não remunerada e subestimada do mundo.
O problema é que, enquanto as mulheres venezuelanas continuam fazendo o que as mulheres fazem — isto é, dar à luz — o sistema de saúde desmoronou. Instalações danificadas, escassez de medicamentos, falta de pessoal e serviços básicos quebrados tornaram a assistência à saúde reprodutiva e os cuidados obstétricos de emergência tão confiáveis quanto a promessa de um vendedor de carros usados.
"Os terremotos expuseram e aumentaram desigualdades pré-existentes no acesso à saúde e segurança", observou Narvaez, no que pode ser o eufemismo do ano. "Sabemos que as mulheres não param de dar à luz durante uma emergência, mas mulheres vulneráveis e meninas adolescentes têm mais probabilidade de serem isoladas dos serviços que salvam vidas de que precisam."
O UNFPA tem se desdobrado para preencher a lacuna, distribuindo kits de saúde reprodutiva e fornecendo equipamentos médicos a 16 unidades de saúde. Também estão trabalhando com outras agências da ONU para tornar abrigos temporários um pouco menos horríveis para mulheres e meninas.
Mas aqui está o pulo do gato: o UNFPA precisa de US$ 10 milhões para alcançar 121.000 pessoas. Até agora, receberam 40% disso — o que é como encher um tanque de gasolina até um terço e esperar chegar ao próximo posto.
"As comunidades venezuelanas demonstraram enorme força e resiliência", disse Narvaez. "Sua coragem deve agora ser correspondida com solidariedade e apoio internacional sustentados." Tradução: Queridos países ricos, por favor, abram suas carteiras antes que o próximo terremoto ou nascimento chegue.
The Good Times
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