Quando Rebecca Lindsey foi demitida da NOAA em fevereiro passado, ela fez o que qualquer pessoa razoável faria: remoeu, depois entrou em pânico sobre o destino do Climate.gov, o site que ela passou 15 anos construindo. Seus medos eram bem fundamentados — a administração Trump logo cortou o resto da equipe e fechou o site, tudo em nome de "restaurar a ciência padrão ouro". (Ironia: ainda grátis.)

Lindsey não suportava ver tudo desaparecer. Então ela e sua antiga equipe fizeram o que qualquer grupo de cientistas apaixonados e sem recursos faria: construíram seu próprio maldito site. O Climate.us foi lançado no mês passado, uma versão independente e não governamental do original, completa com visuais atualizados, explicadores e perguntas e respostas revisadas por cientistas de verdade. Desde seu lançamento há duas semanas, já acumulou 800.000 visualizações de página — nada mal para um site que é basicamente uma fênix renascendo das cinzas de uma fogueira política.

O segundo mandato da administração Trump tem sido duro para as informações climáticas. As Avaliações Climáticas Nacionais? Foram. Páginas da EPA explicando as mudanças climáticas? Destruídas — a agência agora culpa "processos naturais" pelo aquecimento global, o que é como culpar o oceano por ser molhado. Izzy Pacenza da Iniciativa de Dados e Governança Ambiental chama isso de "um ataque total à informação climática". Charmoso.

Mas onde o governo falha, organizações sem fins lucrativos e ex-funcionários federais espertos entram em ação. A União Geofísica Americana está reunindo 100 especialistas globais para proteger conjuntos de dados ambientais de interferência política. Eles também estão hospedando uma rede acadêmica para que cientistas dos EUA possam continuar contribuindo para relatórios climáticos internacionais, porque aparentemente não podemos ser confiáveis para brincar bem com o mundo. Adam Smith, cujo programa de rastreamento de desastres de bilhões de dólares foi eliminado pela NOAA, o reviveu no Climate Central — embora tenha levado quase um ano para voltar à força total. "É como recomeçar em 2010", suspira Lindsey, agora administrando o Climate.us com apenas três funcionários em vez de oito.

Especialistas alertam que organizações sem fins lucrativos não conseguem igualar o alcance ou a credibilidade do governo federal. "Nenhuma organização sem fins lucrativos terá o alcance do governo federal", diz Gretchen Gehrke da Iniciativa de Dados e Governança Ambiental. Além disso, o financiamento é sempre precário. Mas a crise expôs falhas mais profundas em como lidamos com dados científicos. "Isso sempre foi um problema", diz Sonia Wang da Data Foundation. "Estamos apenas vendo mais rachaduras agora."

A lição? Como Janice Lachance da União Geofísica Americana coloca: "Dados científicos críticos não devem ser vulneráveis aos ventos políticos do dia." Então, até que o governo se organize, cabe a um mosaico de organizações sem fins lucrativos, universidades e ex-funcionários federais corajosos manter o fluxo da ciência climática. Sem pressão.