Saiam da frente, Cadbury: a única pessoa na história a comer uma barra de chocolate feita com 100% de ingredientes britânicos foi a falecida Rainha Elizabeth II, que, aos seis anos, em 1932, ganhou uma da Rowntree's. A barra, criada a partir de uma planta de cacau cultivada em estufa na sede da Rowntree's em York, finalmente encontrou sua rival.

Agora, cientistas da Universidade de Reading criaram uma barra usando grãos de cacau cultivados em Berkshire, provando que você não precisa de climas tropicais para fazer chocolate - apenas de uma estufa e uma dose saudável de determinação britânica. A barra, feita para celebrar o 100º aniversário da universidade, usa cacau de plantas da coleção do instituto.

O Reino Unido, apesar de ser uma nação amante de chocolate com um mercado avaliado em £10,4 bilhões, sempre dependeu de cacau importado. Mas Maha Khan, estudante de mestrado na universidade, decidiu mudar essa narrativa. Ela colheu, fermentou e processou os grãos no departamento de alimentos da universidade, transformando um projeto de ciência em uma declaração deliciosa.

"Tem sido incrível acompanhar todo o processo de fabricação de chocolate, da vagem ao grão à barra, sem sair de Reading", disse Khan. "Esta barra britânica de chocolate destaca a natureza precária do nosso abastecimento alimentar. As plantas de cacau são muito sensíveis a mudanças de temperatura e chuva, e as mudanças climáticas já estão causando problemas nos países que produzem a maior parte do cacau mundial. Proteger diferentes variedades é vital se os agricultores precisarem de plantas mais resistentes que possam lidar com um clima em mudança."

Ela acrescentou: "Espero que isso mostre às pessoas quanto trabalho é necessário para o chocolate que desfrutamos e quão importante é proteger os agricultores de cacau e as comunidades ao redor do mundo."

E para aqueles que se perguntam se é bom: Khan relata que o chocolate está "delicioso", com um sabor rico. Os grãos vêm de mais de 300 variedades cultivadas na universidade, e o cacau cru, coberto com uma polpa branca que tem gosto de lichia, é uma raridade para os britânicos.

Isso é mais do que um truque - a universidade espera destacar seu trabalho na preservação de variedades de cacau que possam resistir às mudanças climáticas, pragas e doenças. O centro internacional de quarentena de cacau de Reading lida com 97% do movimento internacional de plantas de cacau no mundo, tornando-o um centro vital para a biodiversidade do cacau.

Os preços do chocolate dispararam recentemente, pois altas temperaturas e chuvas extremas, ambas agravadas pelo colapso climático, danificaram as colheitas na África. Então, esta barra de edição limitada (apenas seis feitas até agora) é um lembrete oportuno da fragilidade do nosso suprimento de chocolate. Khan espera aumentar a produção, mas uma única vagem de cacau leva seis meses para crescer, então paciência é fundamental.

Quanto a quem vai provar esta barra digna de realeza, Khan tem uma sugestão: "Ainda não decidimos quem vai comer o chocolate. Como o último chocolate britânico feito foi comido pela futura rainha em 1932, seria apropriado que a próxima barra fosse um presente para outra futura rainha, a Princesa de Gales, que, como o chocolate, também nasceu em Reading."

Porque nada diz reconhecimento real como uma barra feita em uma estufa universitária.