Todos conhecemos a sensação de rolar a tela sem parar, o entorpecimento mental sem sentido. Mas acontece que essa sensação tem um nome — e um estudo revisado por pares para comprová-la.

O Relatório Mundial da Felicidade, publicado pelo Wellbeing Research Centre da Universidade de Oxford, confirmou o que seus polegares cansados já suspeitavam: o uso excessivo de redes sociais impacta negativamente o bem-estar, especialmente para meninas no mundo ocidental.

"Se você usa redes sociais por uma hora por dia, isso é ótimo, você está se conectando", diz Michael Plant, Pesquisador do Wellbeing Research Centre, em uma interpretação generosa de uma timeline cheia de anúncios e opiniões polêmicas. "Mas o relatório mostrou uma correlação entre quanto mais tempo você gasta em redes sociais, maior a perda de bem-estar."

O relatório não sabe por que o mundo ocidental é mais impactado, mas descobriu que o bem-estar de menores de 25 anos nos Estados Unidos, Canadá, Austrália e Reino Unido caiu drasticamente na última década — coincidentemente, o mesmo período em que as redes sociais passaram de uma distração divertida para um deus digital onipresente.

Plant admite que estava "inicialmente cético sobre a negatividade nas redes sociais", mas que "as evidências estão se acumulando". Ele observa que os jovens de hoje não fumam, não usam drogas nem fazem muito sexo como sua geração fazia — eles só têm redes sociais. E as plataformas, acrescenta, "são projetadas para manter o engajamento", o que é uma maneira educada de dizer que são projetadas para fazer você ficar olhando para uma tela até o pescoço doer.

Sydney Grows, uma criadora de conteúdo fitness que "caiu no papel" depois de postar TikToks desde 2021, chama isso de "um sonho". Ela promove autenticidade com interações na academia e eventos esportivos, tentando ativamente ser um espaço positivo. Mas ela também conhece o lado negativo: "Costumo bloquear comentários negativos; tive quatro anos de prática para construir resiliência. Mas você sabe, recebe 100 comentários positivos e isso não penetra, mas aí vem um comentário negativo e parece pessoal e dói."

Como a caixa de Pandora, as redes sociais foram liberadas e vieram para ficar — sem direito a devolução. O conselho de Plant? "Trata-se de ser realista e olhar para si mesmo — as plataformas não vão te parar e o governo, se você for adulto, não vai impor restrições, então depende de você." Ele sugere que, se você se pegar pensando "Estou olhando para outras pessoas e a vida delas parece melhor que a minha", você vai se sentir pior. Sua solução: "Vá 'vou sair e tentar conversar mais com as pessoas'. No geral, o objetivo é colocar o 'social' de volta nas redes sociais."

Então a conclusão é simples: o algoritmo não se importa com sua saúde mental, mas você pode. E talvez, apenas talvez, seja hora de ir tocar um pouco de grama.