Um professor da Universidade Washington em St. Louis recebeu um e-mail apavorado de um aluno sobre um projeto final com prazo até meia-noite. Quando conseguiram entrar no Zoom, 90 minutos já haviam passado, e eles descobriram que o Canvas - a plataforma de aprendizado online usada por cerca de 40% das faculdades norte-americanas - havia sido derrubado globalmente por um ataque de ransomware. Os hackers, que já haviam mirado Google e Ticketmaster, ameaçaram vazar as informações pessoais de 275 milhões de usuários do Canvas a menos que a Instructure, empresa por trás do software, pagasse. Adeus "manutenção programada".
Quando o Canvas cai, todo o aparato da faculdade moderna desaparece: tarefas, notas, rubricas e comunicação se evaporam na nuvem. O professor não conseguia nem acessar sua própria rubrica para aconselhar o aluno sobre como maximizar as sete horas restantes antes do prazo. Tentaram enviar e-mails para os alunos pelo Workday, o software de planejamento de recursos empresariais que já sugou centenas de milhões de dólares das universidades, apenas para descobrir que a interface era tão alienígena quanto uma paisagem marciana. A mensagem foi enviada mais na esperança do que na certeza.
Às 21h45, o Canvas piscou de volta à vida, e o professor estendeu o prazo da meia-noite para o meio-dia. Na manhã seguinte, a universidade desativou o Canvas novamente - por "excesso de cautela", que é o código para "também não temos certeza do que está acontecendo". Após uma manhã estressante de discussões no Slack e códigos de autenticação de dois fatores, o professor finalmente postou avisos tanto no Canvas quanto no Workday, redundantemente, só por precaução. Os alunos enviaram seus trabalhos por e-mail diretamente, alguns porque seus celulares haviam descarregado e não conseguiam fazer login. O professor respondeu a um: "Que mundo", e então prendeu a respiração, esperando um momento de compreensão humana em um sistema construído inteiramente de software.