A Quantum Space, uma startup que constrói espaçonaves altamente manobráveis para os militares dos EUA, anunciou planos de abrir capital por meio de uma fusão de US$ 1,2 bilhão com uma SPAC. Porque nada diz "segurança nacional" como ressuscitar uma tendência financeira que atingiu o pico em 2021 e deixou investidores de varejo chorando sobre suas carteiras.

Sim, as SPACs estavam na moda quando todos pensavam que empresas de cheque em branco eram um atalho para a riqueza. Muitas se mostraram desastrosas para investidores comuns que apostaram em empresas imaturas, mas algumas - como Rocket Lab e Planet - realmente deram certo. Outra história de sucesso é a Intuitive Machines, uma contratada da NASA lançada por Kam Ghaffarian que agora vale US$ 6,4 bilhões e envia robôs à lua regularmente. Ghaffarian, um investidor espacial de longa data, agora tenta recapturar essa mágica com a Quantum Space, que fundou em 2020 para lucrar com o apetite insaciável da Força Espacial por mobilidade orbital.

"Gastos com defesa, infraestrutura espacial e as prioridades estratégicas dos EUA em órbita estão convergindo exatamente no momento em que a Quantum Space está pronta para escalar", disse Ghaffarian ao TechCrunch, presumivelmente enquanto contava cifrões. A espaçonave da empresa, Ranger, é projetada para se mover entre órbitas e encontrar outros satélites - basicamente um caminhão de reboque espacial com aspirações de vigilância de nível militar.

No comando está o CEO Jim Bridenstine, ex-congressista e administrador da NASA sob o presidente Donald Trump. Bridenstine, um defensor de parcerias público-privadas, usará seu profundo conhecimento da burocracia espacial para vencer contratos importantes. A Quantum Space já está envolvida em seis programas de desenvolvimento governamental, incluindo um que pode enviar a Ranger à lua. Mas o foco da empresa é simples: "Somos projetados especificamente para a segurança nacional", disse Bridenstine, que é uma maneira educada de dizer que estão construindo uma espaçonave que pode pairar em órbitas altas e observar satélites rivais, ao contrário da maioria dos satélites que apenas derivam até morrer.

Espera-se que a Ranger carregue combustível suficiente para permanecer em órbitas altas por longos períodos e seja reabastecível, qualificando-a para o contrato Andromeda - um esforço de US$ 6,2 bilhões para desenvolver veículos de reconhecimento baseados no espaço. A Quantum Space foi selecionada para a Andromeda, mas agora precisa vencer missões financiadas reais a partir de 2030. Espera-se que o acordo SPAC levante US$ 300 milhões em investimento privado, que serão usados para construir instalações de fabricação em Tulsa, Oklahoma, capazes de produzir uma Ranger por trimestre até o final de 2028. O primeiro protótipo está previsto para órbita em 2027.

A decisão de abrir capital destaca a concorrência feroz que a Quantum Space enfrenta. A True Anomaly, outra startup que disputa tarefas da Andromeda, levantou US$ 1 bilhão de investidores de risco. E depois há os suspeitos de sempre: Lockheed Martin, Northrop Grumman e a Millennium Space Systems da Boeing. Porque nada diz "agilidade de startup" como enfrentar gigantes da defesa com décadas de experiência e bolsos mais fundos.