Shadrac Anyazaka, de dez anos, quer ser presidente da República Democrática do Congo um dia. Seu colega Jérémie, deslocado pelo conflito e de luto por familiares assassinados, tem um objetivo mais modesto: tornar-se general para poder defender a paz. No leste da RDC, onde a violência escalou drasticamente em 2025, ambos os sonhos são tão estáveis quanto um castelo de cartas em um furacão.
Essa região vive décadas de conflito, mas ataques recentes forçaram dezenas de milhares de famílias a fugir. Em setembro de 2025, estima-se que 5,3 milhões de pessoas estejam deslocadas internamente em todo o país. Escolas foram destruídas ou ocupadas por grupos armados, e as crianças estão arcando com o peso: 6,4 milhões de crianças continuam fora da escola, expostas à insegurança, fome, trauma e recrutamento por grupos armados. Meninas e crianças com deficiência são especialmente vulneráveis.
Entra em cena o fundo Educação Não Pode Esperar (ECW) da ONU, que lançou um novo programa de US$ 10 milhões por dois anos para alcançar mais de 62.000 crianças afetadas pela crise na província de Ituri, priorizando meninas, crianças deslocadas internamente e as mais vulneráveis. A iniciativa se baseia em programas anteriores que já beneficiaram mais de 125.000 crianças, fornecendo salas de aula seguras, treinamento de professores, materiais de aprendizagem, alimentação escolar e apoio à saúde mental.
Novas salas de aula não são cosméticas. Em áreas afetadas por deslocamentos, as escolas foram forçadas a funcionar em turnos duplos ou a colocar várias turmas em uma única sala. Na Escola Primária Mabanga, em Goma, Kennedy, de oito anos, observou a construção em andamento e disse: "Estou muito feliz em ver as novas salas de aula sendo construídas, porque agora posso estudar com meus amigos sem ser perturbado." Antes, duas turmas compartilhavam um espaço, tornando a concentração quase impossível.
Para líderes empresariais e políticos preocupados com a instabilidade global, a mensagem é clara: contextos frágeis como o leste da RDC têm populações jovens em rápido crescimento. Excluir crianças da educação aprofunda ciclos de pobreza e conflito. Educá-las gera dividendos de longo prazo: maiores ganhos ao longo da vida, melhor saúde, participação cívica mais forte e risco reduzido de recrutamento por grupos armados.
O sonho presidencial de Shadrac, o apelo de Jérémie pela paz e a expectativa de Kennedy de aprender sem distração são lembretes de que o futuro do país já está sentado em suas salas de aula — ou esperando que elas sejam reconstruídas.