No início do século XI, um jovem monge beneditino chamado Eilmer decidiu que a torre de 45 metros da Abadia de Malmesbury era a plataforma de lançamento perfeita para suas asas caseiras — feitas de salgueiro e pano. Ele planou respeitáveis 180 metros, ultrapassou a muralha da cidade e caiu num vale perto do rio Avon, quebrando ambas as pernas. A abadia ainda o homenageia com um vitral, presumivelmente com uma legenda dizendo "Bem, não saiu como planejado."

Nossa fonte para esta história é o historiador do século XII Guilherme de Malmesbury, escrevendo por volta de 1125. Guilherme foi gentil o suficiente para mencionar que Eilmer, "avançado em anos", viu o cometa de Halley em 1066 e comentou: "Há muito tempo que não te via." Alguns historiadores interpretaram isso como significando que Eilmer também avistou o cometa durante sua passagem em 989, quando ele seria um menino. Supondo que ele tivesse pelo menos cinco anos em 989, teria nascido no máximo em 984, estaria nos seus 80 anos em 1066, com seu voo ocorrendo entre 1000 e 1010.

Mas James Aitcheson, da Universidade de Leicester, escrevendo em Notes and Queries, sugere que Eilmer pode ter visto um cometa diferente — o cometa de 1018. Esse foi visível nas Ilhas Britânicas por cerca de duas semanas no outono, e Eilmer pode simplesmente ter assumido que era o mesmo cometa que viu em 1066 (que o deixou "agachado de terror diante da estrela brilhante"). Se for o caso, Eilmer poderia ter nascido no início dos anos 1010, tendo mais de 50 anos em 1066 — ainda consistente com "avançado em anos".

Isso poria fim a especulações recentes de que Eilmer entendia a periodicidade do cometa de Halley séculos antes de Edmund Halley. Aitcheson observa que, embora Eilmer pudesse ter acessado registros históricos de cometas, Guilherme de Malmesbury não menciona nenhum hobby astronômico. "Na verdade, não está claro que observadores do céu no início da Idade Média conseguiam distinguir um cometa de outro", escreve Aitcheson. Uma data de nascimento posterior também torna possível que Eilmer tenha vivido até os 90 anos, conhecido Guilherme pessoalmente e "transmitido diretamente a história de seus feitos pioneiros de aviação". Então, o Cometa de Eilmer? Provavelmente não.