O governo britânico mal tinha acabado de se congratular por aprovar a produção de gás do campo de Jackdaw, no Mar do Norte, quando as atenções se voltaram para Rosebank, o campo petrolífero maior, mais poluente e consideravelmente mais lucrativo que agora está na mesa da secretária de Energia, Miatta Fahnbulleh. Porque nada diz "seguir em frente" como preparar imediatamente uma controvérsia ainda maior.

Jornalistas da BBC foram os primeiros a visitar Rosebank de helicóptero, chegando dias antes de a tempestade Boelo aparecer com ventos fortes e chuva pesada, porque nada diz "fiscalizar um projeto controverso" como fazê-lo num vendaval de força nove. O campo fica a 80 milhas a noroeste de Shetland, e a instalação não é uma plataforma fixa como Jackdaw (150 milhas a leste de Aberdeen), mas sim um navio de produção, armazenamento e descarga flutuante (FPSO) chamado Petrojarl Rosebank, fretado da Altera, sediada em Aberdeen. Ele balança suavemente na ondulação do Atlântico Norte, o que é uma forma educada de dizer que nunca, jamais, para de se mover.

Nicola Boyd, que comanda o heliporto e trabalha offshore há quase uma década — incluindo um ano em Rosebank, num regime de duas semanas embarcada e três de folga — recebeu a equipa enquanto se debatiam para sair dos coletes salva-vidas e fatos de sobrevivência. "É divertido, é interessante, cada dia pode mudar", disse ela, presumivelmente enquanto estava perfeitamente imóvel num convés que fazia o possível para imitar uma montanha-russa.

O técnico mecânico principal Ewan Leonard, exibindo a modéstia típica de um ilhéu das Órcades, descreveu o clima de inverno como "um bocadinho desafiante". "Na semana passada tivemos uma ondulação de 30 metros", disse ele, referindo-se ao swell, "por isso provavelmente vamos sofrer mais disso à medida que o inverno avança". O CEO da Altera, Chris Brett, observou que o ambiente a oeste de Shetland é considerado "tão severo como em qualquer lugar do mundo", o que é o equivalente industrial de dizer "está tudo bem, mas tragam um saco para vomitar".

As 122 pessoas a bordo possuem profundas reservas de competência, engenho e perícia de engenharia, e as instalações são, por todas as contas, excelentes. "Temos cabines individuais, há boas instalações de ginásio, há muitas salas de convívio aqui", disse Leonard. O supervisor de produção Douglas Hogge acrescentou: "Há o ginásio, a sauna. Pode-se obviamente ir apanhar um pouco de ar fresco. Há muito ar fresco lá fora." A comida é fantástica, com os cozinheiros a enviar bochecha de boi estufada, cavala e lombo de porco dia e noite — e o turno da noite aparentemente desfruta de um pequeno-almoço de bife do lombo e pudim de chocolate, porque se vai trabalhar num furacão, mais vale fazê-lo de barriga cheia.

O navio roda em torno de um ponto central fixo chamado turret para enfrentar o mau tempo, o que é um pouco como virar a cara para um secador de cabelo e chamar-lhe estratégia. Se a produção for aprovada, o petróleo e o gás serão bombeados através do turret a partir de poços que contêm uma estimativa de 300 a 500 milhões de barris — o suficiente para talvez 25 anos. "Para mim e para muitos dos rapazes, isso ver-nos-ia até à reforma", disse Hogge. "Precisamos que isto seja aprovado."

Os ambientalistas discordam, e têm tentado travar Rosebank há anos, com algum sucesso. O consentimento foi concedido pela primeira vez sob o governo conservador em 2023, mas em 2025, após uma contestação da Greenpeace e da Uplift, o Tribunal de Sessão de Edimburgo considerou as aprovações de Rosebank e Jackdaw ilegais por não terem em conta o impacto climático da queima dos combustíveis fósseis. O juiz Lord Ericht disse que os promotores podiam continuar com os trabalhos, exceto a produção de petróleo e gás, enquanto forneciam avaliações ambientais mais detalhadas. Tessa Khan, diretora executiva da Uplift, chamou a Rosebank "uma decisão desastrosa e um péssimo negócio para as pessoas comuns deste país", instando o primeiro-ministro Andy Burnham a priorizar as renováveis na sua cruzada de reindustrialização. "Se o governo está interessado em construir confiança dos investidores, dar luz verde a um grande novo campo petrolífero vai fazer o contrário"