Por décadas, a imagem popular dos primeiros primatas envolvia balançar-se em florestas tropicais exuberantes, provavelmente comendo frutas e evitando predadores com a graça de um trapezista. Mas um novo estudo sugere que nossos ancestrais eram mais como montanheses resistentes do que balançadores de selva.

Como ecologista que estudou chimpanzés e lêmures em Uganda e Madagascar, sou fascinado pelos ambientes que moldaram nossos ancestrais primatas. Essas novas descobertas derrubam décadas de suposições sobre como - e onde - nossa linhagem começou.

A questão da nossa própria evolução é de importância fundamental para entender quem somos. As mesmas forças que moldaram nossos ancestrais também nos moldam e moldarão nosso futuro. O clima sempre foi um fator importante impulsionando mudanças ecológicas e evolutivas: quais espécies sobrevivem, quais se adaptam e quais desaparecem. E enquanto o planeta aquece, lições do passado são mais relevantes do que nunca.

O novo estudo científico, liderado por Jorge Avaria-Llautureo da Universidade de Reading e outros pesquisadores, mapeia as origens geográficas de nossos ancestrais primatas e o clima histórico nesses locais. Os resultados são surpreendentes: em vez de evoluir em ambientes tropicais quentes como os cientistas pensavam anteriormente, parece que os primeiros primatas viviam em regiões frias e secas.

Esses desafios ambientais foram provavelmente cruciais para empurrar nossos ancestrais a se adaptar, evoluir e se espalhar. Levou milhões de anos antes que os primatas colonizassem os trópicos. Temperaturas globais mais quentes não pareciam acelerar a evolução, mas mudanças rápidas entre climas secos e úmidos impulsionaram a mudança.

Um dos primeiros primatas conhecidos foi Teilhardina, um minúsculo habitante de árvores pesando apenas 28 gramas - semelhante ao menor primata vivo hoje, o lêmure-rato de Madame Berthae. Sendo tão pequeno, Teilhardina tinha uma dieta de alto teor calórico de frutas, goma e insetos. Fósseis sugerem que tinha unhas em vez de garras, ajudando-o a agarrar galhos - uma característica chave dos primatas. Teilhardina apareceu há cerca de 56 milhões de anos, cerca de 10 milhões de anos após a extinção dos dinossauros, e se dispersou rapidamente da América do Norte pela Europa e China.

É fácil ver por que os cientistas assumiram que os primatas evoluíram em climas quentes e úmidos. A maioria dos primatas hoje vive nos trópicos, e a maioria dos fósseis é encontrada lá. Mas quando os pesquisadores usaram dados de esporos e pólen fóssil para reconstruir climas antigos, descobriram que esses locais não eram tropicais na época. Os primatas realmente se originaram na América do Norte, apesar de nenhum primata viver lá hoje.

Alguns até colonizaram regiões árticas, provavelmente sobrevivendo ao frio e à escassez de alimentos diminuindo seu metabolismo ou hibernando, muito parecido com os lêmures-rato e lêmures-anões modernos. Condições desafiadoras favoreceram primatas móveis que se moviam em busca de comida e habitat. As espécies vivas hoje descendem desses ancestrais altamente móveis; os menos móveis não deixaram descendentes.

O estudo destaca o valor de estudar animais extintos e seus ambientes. Para conservar os primatas de hoje, precisamos saber como eles são ameaçados e como reagirão. Entender as respostas evolutivas às mudanças climáticas é crucial. Quando os habitats são perdidos - muitas vezes através do desmatamento - os primatas não podem se mover livremente. Com populações menores em áreas menores, eles carecem de diversidade genética para se adaptar.

Mas precisamos de mais do que conhecimento: precisamos de ação política e mudança de comportamento individual para combater o consumo de carne de caça, reverter a perda de habitat e enfrentar as mudanças climáticas. Caso contrário, todos os primatas correm risco de extinção, incluindo nós mesmos.