Há quarenta anos, Paul Simon estava passando por um mau momento. A turnê de reencontro de Simon and Garfunkel terminou no tipo de briga que faz as reuniões de família parecerem pacíficas, seus álbuns solo vendiam como sobras mornas, e seu casamento com Carrie Fisher se desfazia mais rápido do que um suéter barato. Então, naturalmente, o ícone folk de 43 anos decidiu construir uma casa de praia em Long Island e ouvir fitas piratas de mbaqanga sul-africano durante o trajeto. Porque nada diz 'crise da meia-idade' como construção e música pesada de acordeão.

Essa fita pirata, um presente de um amigo, tornou-se a semente improvável para Graceland, o álbum que definiria sua carreira. Ashley Kahn, autora do novo livro Days of Miracle and Wonder, que narra a criação do álbum, observa que muitos de nós encontraram momentos de autorreflexão em viagens de carro naquela época. 'Se não era o rádio, eram fitas cassete', disse ela, provando que mesmo antes dos podcasts, os americanos estavam desesperados por algo para ouvir enquanto dirigiam.

Graceland, lançado em 1986, era um 'unicórnio maldito' - uma frase que captura tanto sua raridade quanto sua natureza ligeiramente mágica e ligeiramente confusa. Misturava as sensibilidades folk de Simon com ritmos sul-africanos, apresentando músicos como Ladysmith Black Mambazo e Ray Phiri, e vendeu mais de 16 milhões de cópias em todo o mundo. Mas também gerou controvérsia, pois Simon gravou na África do Sul durante o boicote cultural contra o apartheid, levando a acusações de apropriação cultural e ingenuidade política. O álbum ganhou o Grammy de Álbum do Ano em 1987, mas seu legado permanece tão complexo quanto uma progressão de acordes de jazz.

O livro de Kahn mergulha no processo de gestação, explorando como a turbulência pessoal de Simon e seu fascínio por sons estrangeiros se uniram em um álbum que foi ao mesmo tempo um triunfo comercial e um ponto de inflexão cultural. É uma história de brilhantismo artístico, decisões questionáveis e o poder duradouro de uma boa fita cassete.