A dívida federal dos EUA ultrapassou oficialmente US$ 39 trilhões pela primeira vez, o que significa que o governo agora deve mais dinheiro do que toda a economia dos EUA produz em um ano. Em março, o produto interno bruto da economia era de cerca de US$ 31 trilhões, enquanto a dívida detida pelo público era aproximadamente US$ 49 bilhões maior. Esta é a primeira vez desde logo após a Segunda Guerra Mundial — exceto por uma breve queda na pandemia — que a dívida ultrapassa 100% do PIB. A fiscalizadora fiscal Maya MacGuineas, do Comitê para um Orçamento Federal Responsável, chamou o marco de uma luz vermelha piscando, observando que se isso fizer as pessoas tirarem a cabeça da areia, pode ser uma coisa boa. "Cem por cento vai fazer você parar por um segundo, pelo menos, e pensar: isso é realmente saudável para a economia? E a resposta inequívoca é não", disse ela.

A dívida como parcela da economia mais que dobrou nas últimas duas décadas, e projeta-se que continue crescendo. A razão simples: o governo gasta consideravelmente mais do que arrecada em impostos. No ano passado, por exemplo, o governo teve um déficit de US$ 1,6 trilhão durante um período de "relativa paz e prosperidade". A maior parte dos gastos federais está no piloto automático, e só vai aumentar à medida que mais pessoas se aposentarem e precisarem de cuidados de saúde caros. Enquanto isso, os republicanos aprovaram outro grande corte de impostos, e MacGuineas observou que o aumento da dívida tem sido um problema bipartidário. "Temos dois partidos que estão sempre tentando se superar, dando mais, tanto em gastos quanto em cortes de impostos", disse ela. "A bajulação fiscal se tornou o movimento político padrão hoje em dia."

Quais são as desvantagens? Os juros sobre a dívida federal agora são de mais de um trilhão de dólares por ano — mais do que gastamos com defesa, Medicare ou qualquer coisa, exceto a Previdência Social. Isso significa que o Congresso tem que arrecadar mais de um trilhão anualmente apenas para cobrir dívidas antigas antes de tapar um único buraco ou comprar um novo navio da Marinha. O alto endividamento do governo também torna mais caro para todos os outros obterem um empréstimo, comprar uma casa ou abrir um negócio. E deixa o governo com menos espaço de manobra em uma crise como guerra ou recessão profunda.

Quanto às soluções, especialistas fiscais dizem que não precisamos tapar o buraco, mas precisamos parar de cavar. Isso significa que os impostos precisam subir e os gastos precisam cair — e não, simplesmente tributar bilionários, imprimir dinheiro ou eliminar desperdícios não vai resolver. MacGuineas diz que exigirá sacrifício de todos. "Esta não é uma daquelas situações em que você pode simplesmente dizer: sim, deixe outra pessoa resolver este problema", disse ela. "Levou décadas para chegar tão fundo no buraco." Não faltam ideias de políticas — apenas uma crônica falta de vontade política.