Mais um dia escaldante de verão sub-saariano no final da primavera. Se isto é aquecimento global, um candidato do Reform diz: “Pode vir.” Ele sai para a carrinha, liga o motor e deixa-o a trabalhar — porque nada diz “preocupo-me com o planeta” como deixar um motor a combustíveis fósseis ao ralenti. De volta a casa, liga o rádio onde Tony Blair está a falar. Sim, o mesmo Tony Blair que invadiu o Iraque. Um político que “fala com sentido”, aparentemente.
Foda-se para o net zero. É o que ele diz. É lógico. Pense na idade do gelo — não havia assim tantos voos internacionais por dia quando os Neandertais estavam vivos, cinco ou seis no máximo, e o mundo ainda assim ficou muito mais quente. Portanto, é tudo treta woke. Ele faz uma nota para perguntar se o Tony está livre para vir a Makerfield fazer algumas visitas porta a porta.
Um WhatsApp do Nigel — atrasado 10 minutos, encontro no café local com fotógrafos e um repórter manso. Enquanto espera, verifica os emails. Um da Carol Vorderman, a queixar-se de ele ter dito como ela era boa online. Há mulheres que simplesmente não sabem aceitar um elogio. Ele acha que ela deve estar na menopausa ou algo assim. Decide-te, querida, pensa ele.
Depois o email do Danny Kruger — claro que há. Ele manda mensagem todos os dias, sempre a mesma coisa: a admirar a sua autenticidade nortenha e trabalhadora, com vontade de sair com ele um dia para reparar uma caldeira. Nunca esteve dentro de uma habitação social antes, curioso para saber como vivem as pessoas comuns e se deve pulverizar-se com desinfetante primeiro. Depois o “mas” — “Adoro a tua conversa tipicamente franca, é adorável, mas talvez fosse útil se durante as próximas três semanas tentasses moderar-te um bocado.”
Finalmente, o Daily Hate do Zia Yusuf — esse tipo vive num estado de raiva permanente. Hoje está a criticar o Robert Jenrick por não perceber que a política do Reform é deportar qualquer estrangeiro que viva em habitação social. Quão burro deve ser esse Jenrick? Ainda bem que não vai dirigir nenhum departamento quando eles ganharem as próximas eleições. Agora não é hora de amolecer. Claro que devem deportar estrangeiros — é por isso que se chamam estrangeiros, porque são estrangeiros. Quem quer viver num país com estrangeiros? Esse tal Rupert Lowe sabe do que fala. Talvez sugira ao Lee Anderson que tentem recrutá-lo.
Ele conduz os 50 metros até ao café, entra e grita: “Dá-nos o de sempre, querida, e tenta não pôr as mãos no meu cano.” A Sandra ri-se. O Nigel já está lá, rodeado pela sua segurança e por vários membros da media. Com ar natural e descontraído. “O que é que te apetece, Nige? E não estou a falar da Sandra. Boom, boom!”
O Nige pede o menu. “Quero o pequeno-almoço mais nortenho que conseguires arranjar — inglês completo com extra morcela. E nada desses cappuccinos fancy. Café instantâneo serve. Não sou como aquele molengão do Andy Burnham — aposto que ele começa o dia com um croissant e um flat white de leite de aveia.”
“Isso é porque ele é um metrossexual de classe média de Liverpool,” responde o candidato. “Ele não é verdadeiramente nortenho como nós.” O Nige sorri, mete um garfada grande de bacon gordo na boca enquanto os fotógrafos tiram fotos, depois manda a imprensa embora e começa a engasgar-se. “Aquilo foi nojento. Nunca mais como essa merda. Mas podes acabar se quiseres.” Dois pequenos-almoços. Resultado! Vai ser um dia do caraças.
Meia hora depois, depois de o Nige ter fumado uns cigarros e bebido o primeiro copo do dia, ambos entram na carrinha e vão fazer campanha. Primeira paragem é um dos seus clientes. “Como estás, Jim?” “Não muito bem — o cano ainda está a pingar.” Ele vai buscar as ferramentas, e enquanto arranja a fuga pergunta em quem o Jim planeia votar a 18 de junho. “Antigamente, votei no Boris,” diz o Jim. “Eu também — o Boris era um grande tipo.”
“Só não me fales do Brexit,” diz o candidato. “Foi um desastre total. Todos aqueles políticos como o Boris e o Ni...