O câncer de próstata, há muito o calcanhar de Aquiles dos imunoterapeutas, finalmente mostrou uma brecha em sua armadura graças a uma nova ferramenta CRISPR que mira o RNA. A maioria dos tumores de próstata é considerada 'imunologicamente fria', ou seja, atraem tantos linfócitos T quanto uma festa na praia em janeiro. Mas pesquisadores agora desenvolveram uma maneira de tornar esses tumores visíveis ao sistema imunológico, efetivamente esquentando as coisas.

Em um estudo publicado na Nature Biomedical Engineering, cientistas usaram um sistema baseado em CRISPR para forçar as células do câncer de próstata a realongar moléculas de mRNA encurtadas - um truque que os tumores usam para se esconder do ataque imunológico. Ao restaurar o comprimento normal de um mRNA chave, a terapia reduziu a produção da proteína SPSB1, o que por sua vez permitiu que o complexo MHC-1 (pense nele como um cartaz molecular 'Me Chuta' para linfócitos T) reaparecesse na superfície do tumor. O resultado? A terapia de checkpoint imunológico de repente funcionou muito melhor em camundongos, com mais células imunes invadindo o tumor e destruindo as células cancerígenas.

'A imunoterapia é uma forma monumentalmente diferente de tratar o câncer, e ótima porque você não precisa dar aos pacientes drogas terríveis que matam o câncer mas prejudicam células saudáveis no processo', disse Eric J. Wagner, PhD, coautor da Universidade de Rochester Medicine. 'O problema é que alguns cânceres respondem bem à imunoterapia, mas outros desenvolvem resistência ou não respondem nada. Nossa ferramenta fortalece a capacidade do sistema imunológico de fazer o câncer desaparecer.'

A pesquisa se baseia em uma descoberta feita há 12 anos, quando a equipe de Wagner descobriu que mRNAs em células de glioblastoma eram mais curtos que o normal. mRNAs encurtados são mais estáveis - como um ouriço se enrolando - e mais difíceis de serem regulados pelas células. No câncer de próstata, esse encurtamento atrapalha o complexo MHC-1, permitindo que os tumores voem abaixo do radar imunológico.

A equipe, liderada pela Duke University School of Medicine, projetou um sistema CRISPR Cas13 que se liga a uma seção específica do mRNA do SPSB1 em vez de cortá-lo. Isso impediu que as células cancerígenas encurtassem a cauda da molécula. 'Ninguém nunca fez isso antes', disse Wagner. 'É um excelente modelo pré-clínico mostrando que mRNAs podem ser forçados a realongar e, quando isso acontece, há benefício terapêutico.'

Nenhum efeito fora do alvo foi detectado, o que é legal. Wagner agora planeja testar a abordagem em câncer de pâncreas, outro tumor notoriamente frio, com financiamento piloto do Wilmot Cancer Institute e do Roswell Park Comprehensive Cancer Center. A pesquisa foi financiada pelo National Cancer Institute dos National Institutes of Health.