Dois inquilinos de Nova York entraram com uma ação coletiva alegando que a gigante corretora Compass tem acumulado listagens de aluguéis como um dragão acumula ouro, criando um choque de oferta falso que está inflacionando artificialmente os aluguéis. Porque nada diz 'mercado livre' como remover estrategicamente opções do mercado.

Os autores Peter Castaneda e Haley Gelfand alegam que a Compass, por meio de mais de uma década de aquisições, agora controla impressionantes 'mais de 80 por cento das listagens de unidades de aluguel disponíveis para inquilinos em Manhattan com base em dados de 2025.' Com esse tipo de monopólio, a Compass pode 'literalmente ditar preços' para a maioria dos aluguéis de Manhattan, o que é ótimo se você é proprietário, menos ótimo se você é, você sabe, uma pessoa que precisa de um lugar para morar.

O suposto esquema? A Compass, que tem boicotado plataformas gratuitas de listagem como o Zillow, começou a retirar milhares de imóveis da plataforma no início deste ano. O objetivo, de acordo com a queixa, era forçar os inquilinos a usar os próprios corretores da Compass, que cobram taxas muitas vezes vinculadas aos preços dos aluguéis. É um 'manual' que envolve 'esconder listagens do público' para permitir que os agentes 'ganhem duas vezes para aumentar a receita por transação, impulsionar o preço das ações e efetivamente ignorar o consumidor.' Em outras palavras, é uma ótima maneira de ganhar dinheiro, se você é a Compass.

O Zillow, por sua vez, respondeu excluindo essas listagens privadas de seus sites, o que é como dizer: 'Se você não vai jogar limpo, não pode jogar.' Isso levou a Compass a entrar com um processo antitruste contra o Zillow, alegando que o Zillow era o monopolista. Um juiz discordou, observando que o Zillow não pode ter um monopólio se as pessoas podem pesquisar em várias plataformas, e a Compass retirou voluntariamente o processo em março.

Agora, autoridades locais e federais estão investigando. A senadora Elizabeth Warren (D-Ma.) lançou uma investigação, preocupada que a Compass possa 'criar um mercado imobiliário de dois níveis, onde iniciados pagam por acesso exclusivo ao inventário de moradias e dados de mercado, enquanto todos os outros são excluídos.' Porque nada diz 'crise habitacional' como adicionar uma seção VIP para os ricos.

Blake Hunter Yagman, advogado dos inquilinos, disse ao Ars que 'quando um titã de uma indústria decide sufocar a oferta de um bem ou serviço essencial, como moradia, as implicações podem ser rapidamente vastas e severas.' De fato, os nova-iorquinos já enfrentam uma crise de acessibilidade, e os aluguéis altos são 'a maior conta que a maioria de nós tem que pagar.' A Compass se recusou a comentar, o que provavelmente é o melhor.

O porta-voz do Zillow, no entanto, foi mais comunicativo: 'Quando listagens são deliberadamente escondidas de plataformas públicas, os consumidores reais pagam o preço. Neste verão, os nova-iorquinos viram exatamente isso acontecer, com uma corretora dominante decidindo quais casas as pessoas podem ver e apertando ainda mais o mercado de Nova York durante uma crise habitacional.'

O processo alega que as ações da Compass já aumentaram os aluguéis. Castaneda assinou um contrato de aluguel em agosto para um apartamento de um quarto no centro de Manhattan por US$ 5.270 por mês, o que 'excede em muito' o aluguel médio/mediano pedido de US$ 4.390 naquela área apenas um mês antes. Gelfand viu os preços subirem no StreetEasy de julho para agosto antes de também concordar em pagar US$ 5.270 por uma unidade semelhante. Coincidência? Os autores não acham.

Eles apontam para dados que mostram que as unidades de aluguel disponíveis em toda Nova York caíram 40 por cento no último ano, com aumentos correspondentes nos aluguéis de 3 por cento em junho, dobrando para 6 por cento em julho. Isso é o que os economistas chamam de 'choque de oferta', e os autores argumentam que a Compass o causou intencionalmente.

Os inquilinos buscam representar 'todos os inquilinos da cidade de Nova York que alugaram unidades residenciais multifamiliares não estabilizadas de aluguel de 1º de agosto de 2026 até o presente.' Eles querem que a Compass devolva o enriquecimento sem causa, pague danos e pare de esconder listagens de plataformas como o Zillow. Eles também observam que os inquilinos já gastam mais de 30 por cento de sua renda com aluguel - um limite que os economistas classificam como inacessível -