Um mito persistente de que cascavéis bebês são mais perigosas que as adultas foi completamente desmascarado por um novo estudo da Universidade de Loma Linda. Após rastrear a história e a propagação dessa história da carochinha, os pesquisadores concluíram que as cascavéis adultas são, na verdade, a maior ameaça — porque carregam e injetam muito mais veneno.

O estudo também refuta a alegação repetida à exaustão de que cascavéis bebês não controlam a quantidade de veneno e, portanto, liberam tudo em uma única mordida. Esse equívoco, dizem os pesquisadores, teve consequências no mundo real: “assunção de riscos mal informada por quem encontra as cobras, medo infundado entre vítimas de picadas de cobra e cuidados inadequados prestados por profissionais médicos mal informados ou pressionados por pacientes/familiares”.

“Este é um mito facilmente desarmado que gerou pavor, pânico e consequências reais”, disse William Hayes, pesquisador principal e professor de biologia da Escola de Medicina da Universidade de Loma Linda. “Evidências abundantes demonstram que cascavéis bebês, assim como as adultas, podem controlar a expulsão de veneno, que as adultas possuem e liberam muito mais veneno ao morder e que as adultas causam sintomas substancialmente mais graves em vítimas de picadas de cobra.”

Hayes enfatizou que qualquer picada de cascavel é uma emergência médica que requer atenção imediata, e o antiveneno é o único tratamento eficaz. As descobertas foram publicadas na semana passada na revista Toxins.

Além dos encontros com humanos, o mito também prejudicou as próprias cascavéis. “Conceitos errados sobre cascavéis criam medo desnecessário e frequentemente resultam em pessoas machucando ou matando as cobras”, observou o estudo. As cascavéis desempenham um papel ecológico importante, e suas populações caíram significativamente em muitas partes dos EUA.

Os pesquisadores rastrearam o mito até pelo menos 1967, quando ele apareceu pela primeira vez em notícias. Veículos da Califórnia foram os principais propagadores durante as décadas de 1970, 1980 e 1990, e o mito continuou a circular pela mídia norte-americana de 2000 a 2014. Embora ainda apareça hoje — até mesmo em algumas fontes conhecidas —, a cobertura se tornou mais precisa desde 2015, provavelmente graças a uma melhor educação pública.

Grande parte das reportagens imprecisas resultou de citações incorretas de profissionais de saúde e socorristas, enquanto citações de especialistas no assunto — especialmente professores universitários — eram geralmente muito mais precisas.

Apesar do progresso, o mito permanece notavelmente difundido: 53% dos estudantes do sul da Califórnia pesquisados acreditavam nele, assim como 73% dos socorristas e profissionais de saúde. “Esperamos divulgar a informação para corrigir esse mito”, disse Hayes. “Não há motivo para os caminhantes terem medo infundado de cascavéis bebês ou pensarem que precisam machucar ou matar as cobras. Também não queremos que médicos ou veterinários cedam à pressão de pacientes e famílias que insistem em medicação excessiva após uma picada de cascavel bebê.”