Os preços dos voos europeus estão caindo, pelo menos por enquanto, porque as companhias aéreas estão tentando convencer passageiros nervosos de que a guerra EUA-Israel com o Irã ainda não tornou tudo terrível. O CEO da Wizz Air, József Váradi, diz que as transportadoras podem arcar com cortes de preços de curto prazo porque travaram os preços dos combustíveis antes do início do conflito — um caso raro de hedge corporativo realmente funcionando para os consumidores.

Este otimismo alegre contrasta com a maioria das outras companhias aéreas, que estão aumentando tarifas ou reduzindo voos devido aos custos do querosene de aviação que enlouqueceram. O preço por tonelada métrica na Europa mais que dobrou, de US$ 831 para US$ 1.800 desde 28 de fevereiro, quando os EUA e Israel começaram a atacar o Irã, antes de se estabilizar em torno de US$ 1.500 — ainda historicamente exorbitante.

A Europa importa mais da metade de seu querosene de aviação da região do Golfo, mas esses suprimentos estão bloqueados há oito semanas pelo fechamento efetivo do Estreito de Ormuz devido à guerra. Isso gerou temores de escassez no verão e cancelamentos, embora Váradi insista que o pânico é exagerado. "Não acho que ficaremos sem combustível", disse ele a jornalistas, observando que petroleiros já estão indo para os EUA para trazer combustível para a Europa. Mas se a escassez realmente ocorrer, ele alertou que seria uma "bagunça completa", com alguns aeroportos tendo combustível e outros não, e, em última análise, "se não houver combustível em lugar nenhum, você terá que cancelar".

A lógica de Váradi para passagens mais baratas: as pessoas estão hesitantes em reservar porque estão preocupadas com uma crise energética maior, perder seus empregos ou não conseguir encher seus carros com a inflação nas alturas. "Esse nível de hesitação pode ser superado através de estímulo de preços", disse ele, que é o jargão das companhias aéreas para "vamos suborná-los com descontos". Muitas transportadoras usam hedge de combustível — comprar combustível antecipadamente a preços fixos — o que lhes permite absorver picos de custos de curto prazo.

O Ministro da Indústria e Turismo da Espanha, Jordi Hereu, tem uma opinião diferente: compre agora antes que os preços realmente subam. "Já está claro que os preços subiram e isso pode afetar a demanda", disse ele ao jornal espanhol Expansion, aconselhando os viajantes a comprar passagens enquanto as companhias aéreas ainda estão queimando querosene barato.

Mesmo que a guerra terminasse amanhã, Váradi espera que os preços do querosene de aviação permaneçam elevados por "um período considerável" — nove, 12 ou 18 meses — porque aparentemente essas coisas não desaparecem simplesmente. Mark Tanzer, diretor executivo da associação de agentes de viagens britânicos, ofereceu uma nota tranquilizadora: "Continuamos em contato próximo com os órgãos das companhias aéreas, que atualmente não estão vendo interrupção no fornecimento de querosene de aviação." Então faça as malas, mas talvez mantenha um plano B.