Numa recente noite de semana, o metrô Aqua Line sentido sul em Mumbai quase esvaziou algumas estações antes do previsto, deixando sua estação final parecendo menos um terminal movimentado numa cidade famosa por multidões e mais uma relíquia desolada da era soviética. Esta linha totalmente subterrânea de 33,5 km, inaugurada no ano passado para conectar Cuffe Parade ao BKC e ao aeroporto, projetava transportar quase 1,5 milhão de passageiros diariamente. Numa reviravolta chocante, a demanda real é cerca de um décimo disso.

Este não é um incidente isolado, mas uma característica da expansão meteórica do metrô na Índia. Desde 2014, o governo de Narendra Modi despejou mais de US$ 26 bilhões, quadruplicando a rede de menos de 300 km para mais de 1.000 km até 2025. A demanda diária também quadruplicou para mais de 11 milhões de pessoas, mas esses agregados grandiosos estão magistralmente escondendo a realidade preocupante de que a maioria dos sistemas transporta uma mera fração de suas cargas projetadas.

Um relatório de 2023 do Instituto Indiano de Tecnologia de Delhi mostrou a demanda em míseros 25-35% das projeções, um número que dificilmente mudou significativamente. Outros estudos corroboram esse desempenho decepcionante: a Observer Research Foundation encontrou demanda tão baixa quanto 2% das estimativas em Kanpur e 37% na primeira fase de Chennai. Dados do Instituto para Política de Desenvolvimento e Transporte (ITDP) revelaram demanda real de 20-50% em cidades como Pune e Nagpur. Delhi, com a rede mais ampla da Índia, é a única exceção onde o uso supera ligeiramente as projeções, embora especialistas observem que isso se deve em parte porque agora conta intercâmbios como viagens separadas.

Então, por que o metrô está lutando num país onde outros transportes públicos são notoriamente superlotados? Especialistas apontam para uma tempestade perfeita de planejamento excessivamente otimista e falhas práticas. Ashish Verma do Laboratório de Transporte Sustentável observa que as projeções de demanda são complexas e às vezes exageradas para fazer os projetos parecerem economicamente viáveis. As previsões frequentemente dependem de 'capacidade oferecida' - como certas frequências de trens ou números de vagões - que nunca se materializam. Em Bengaluru, por exemplo, a frequência no horário de pico na linha mais movimentada é de cinco minutos ou mais, enquanto numa linha mais nova, estende-se a 25 minutos.

A acessibilidade é outra barreira crítica. Uma única viagem no Aqua Line de Mumbai custa 10-70 rúpias (£0,08-£0,56), enquanto um passe ilimitado de três meses na ferrovia suburbana local é significativamente mais barato, 590 rúpias. Aditya Rane do ITDP aponta que os custos integrados de viagem podem consumir 20% da renda de um trabalhador de baixa renda, bem acima do benchmark global de 10-15%. Aumentos de tarifas, como o de Bengaluru no ano passado que levou a uma queda de 13% na demanda, demonstram a sensibilidade de preço do mercado.

Planejamento deficiente da rede e conectividade de última milha suprimem ainda mais a demanda. Nandan Dawda da ORF destaca a falta de ônibus alimentadores e altos tempos de trânsito entre linhas - na estação Hauz Khas de Delhi, a transferência pode levar 15-20 minutos. A 'desagregação institucional' significa que diferentes operadores administram várias linhas e redes de ônibus, muitas vezes trabalhando em silos. Adicione calçadas ruins e preocupações de segurança, especialmente para mulheres como a residente do norte de Delhi Chetna Yadav, que teme ficar presa à noite, e as barreiras se acumulam.

Apesar dessas questões sistêmicas, especialistas preveem crescimento incremental no uso do metrô, impulsionado por tráfego, poluição e crises de estacionamento atingindo um ponto de inflexão em muitas cidades. No entanto, como Rane conclui, um aumento rápido e dramático na adoção é improvável sem acertar a integração de ônibus, o acesso às estações e a integração tarifária. Caso contrário, a Índia pode continuar construindo metrôs que são operacionalmente úteis, mas perpetuamente abaixo do desempenho em relação às suas projeções originais, absurdamente otimistas.