Banco de Inglaterra deve subir juros pela primeira vez desde 2023, porque a inflação nunca realmente foi embora
O Banco de Inglaterra deverá subir as taxas de 3,75% para 4% na quinta-feira — a primeira subida desde 2023 — porque a inflação, como um hóspede indesejado, simplesmente recusa-se a ir embora.
O Banco de Inglaterra deve fazer na quinta-feira aquilo que não faz desde agosto de 2023: subir as taxas de juro. A maioria dos analistas prevê que a taxa de referência suba de 3,75% para 4%, um movimento que tornará o crédito mais caro para particulares e empresas, ao mesmo tempo que dará aos poupadores algo para sorrir — assumindo que conseguem sorrir depois de pagar a prestação da casa.
A taxa do Banco caiu do seu pico de 5,25% em 2023-24, e o Comité de Política Monetária (MPC) deixou-a inalterada nas últimas seis reuniões. Mas a inflação em alta, impulsionada principalmente pelo custo da gasolina e do gasóleo, foi aparentemente a gota que fez transbordar a paciência do comité. O anúncio está marcado para as 12h00 GMT de quinta-feira, dando a todos tempo para se prepararem durante o almoço.
Também será dada muita atenção a quaisquer indícios do MPC sobre o rumo futuro das taxas. "A decisão é cada vez menos sobre se as taxas chegam aos 4% e mais sobre o que se segue depois disso", disse Chris Cheverall, responsável pelo Reino Unido na plataforma de negociação CMC Markets. "Uma subida de um quarto de ponto já é amplamente esperada, mas o Banco tem agora de equilibrar uma inflação ainda demasiado alta com uma economia cujas perspetivas de crescimento se enfraqueceram acentuadamente." Por outras palavras: escolha o seu veneno, mas faça-o com cara séria.
O Índice de Preços no Consumidor (IPC) está bem abaixo do seu pico de há alguns anos, mas tem vindo a subir novamente e espera-se que suba mais. Foi de 3,5% no ano até setembro de 2026, acima dos 3,1% do mês anterior e confortavelmente acima da meta de 2% do banco central — uma meta que começa a parecer menos um objetivo e mais uma memória distante. O impacto contínuo da guerra do Irão, principalmente no custo da energia e dos combustíveis, fez-se sentir na taxa de inflação do Reino Unido, e milhões de clientes domésticos de energia preparam-se para um aumento substancial de preços em janeiro.
A taxa de juro diretora do Banco é o que este cobra a outros bancos e sociedades de crédito hipotecário pelo empréstimo de dinheiro, o que influencia o que estes cobram aos seus próprios clientes pelos créditos à habitação, bem como os juros que pagam pelas poupanças. Se a taxa subir, haverá um impacto imediato nos 510 mil titulares de créditos à habitação de taxa variável indexada. Segundo cálculos da associação comercial bancária UK Finance, uma subida de 0,25 pontos percentuais significaria um aumento de 31 libras nas prestações mensais para alguém com um crédito típico de taxa variável indexada.
Os 470 mil titulares de créditos à habitação com taxas variáveis teriam de esperar pela reação do seu credor. Normalmente, uma subida de 0,25 pontos percentuais significaria um aumento de 14 libras por mês nas prestações. Para os que têm contratos de taxa fixa, o quadro é mais matizado: as suas prestações mensais não são imediatamente afetadas, mas os seus futuros contratos são, e os credores já "incorporaram" a subida esperada ao cotar novos contratos.
A 4 de novembro, a taxa média de crédito à habitação fixa a dois anos para habitação própria era de 5,96%, enquanto a taxa média a cinco anos era de 5,99%, segundo o serviço de informação financeira Moneyfacts. Isto significa que quem sai de um contrato a cinco anos enfrenta uma fatura de crédito à habitação muito maior. A corretora L&C disse que as taxas médias oferecidas pelos 10 maiores credores sugeriam que alguns mutuários enfrentavam agora pagar quase 5.000 libras mais por ano em prestações num crédito de 200 mil libras a 25 anos do que aqueles que garantiram um contrato de renegociação em 2021. Há cinco anos, a taxa média de renegociação fixa a cinco anos entre os 10 maiores credores era de 1,30% — um número que agora parece uma relíquia de uma era mais inocente.
As taxas fixas relativamente altas levaram algumas pessoas a considerar optar por taxas variáveis, na esperança de que a taxa fosse mais baixa, mesmo que a taxa do Banco suba nos próximos meses. "A escolha certa depende, em última análise, de os mutuários estarem confiantes de que conseguem suportar subidas futuras. O diabo está nos detalhes", disse Rachel Springall, da Moneyfacts. O custo de alguns outros novos empréstimos também poderá ser influenciado pela taxa do Banco, enquanto os poupadores — por outro lado — poderão ver as taxas de juro que lhes são oferecidas melhorar.
Em última análise, os credores — bem como os decisores políticos do Banco de Inglaterra — estão
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