Lembra quando você comprava um jogo e depois podia simplesmente... jogá-lo? A Microsoft está testando os limites dessa noção antiquada com seus novos pacotes Cloud Playtime, agora disponíveis para Xbox Insiders. A proposta: pagar de 24 a 40 centavos por hora para transmitir jogos que você já comprou. É como comprar um carro e depois pagar um parquímetro para dirigi-lo.

Em setembro, a Microsoft limitou severamente o buffet de streaming de jogos para assinantes do Game Pass e prometeu que não assinantes logo poderiam "comprar horas de cloud playtime através da Xbox Store e transmitir jogos elegíveis que possuem em dispositivos suportados". Hoje, essa promessa é realidade, e a realidade vem com um preço. Os níveis de "preços promocionais de lançamento" estão presumivelmente listados em algum lugar no artigo que você não está lendo porque está ocupado demais fazendo as contas de quantas horas de streaming sua compra de jogo de US$ 70 lhe dá direito (spoiler: zero).

A boa notícia, se é que se pode chamar assim: o tempo de jogo comprado "permanece disponível até ser usado", então seu pacote de 50 horas não expira antes de você chegar àquela sessão de Halo. A má notícia: esses pacotes Cloud Playtime "exigem a compra do jogo com suporte a nuvem ou, para jogos selecionados, acesso gratuito", segundo a Microsoft. Então você está pagando para transmitir algo que já possui. É o modelo de fliperama, exceto que você teve que comprar o gabinete primeiro.

Vamos colocar isso em contexto histórico. Em 2014, o PlayStation Now da Sony oferecia streaming à la carte por períodos de aluguel definidos, com preços que chegavam a US$ 30 por 90 dias de acesso a streaming em tempo real - até mesmo para jogos que você podia comprar em disco por menos. Esse modelo rapidamente se transformou em uma assinatura tudo-que-você-pode-transmitir, agora o plano PlayStation Plus Premium de US$ 20/mês (ou US$ 160/ano). O Stadia do Google, por sua vez, oferecia streaming ilimitado para jogos comprados, depois fechou em 2022 e reembolsou todo mundo. A abordagem da Microsoft é diferente: você compra o jogo, paga por hora para transmiti-lo e, se quiser evitar anúncios e tempos de espera, paga por isso também. Streams gratuitos com suporte de anúncios estão disponíveis para Insiders testarem, mas usuários pagos recebem "tempos de espera mais curtos [e] streaming de alta qualidade", o que é uma maneira educada de dizer que o nível gratuito é o equivalente digital da classe econômica.

Então, qual é o tamanho do mercado para isso? No mês passado, a Microsoft disse que apenas 4% dos assinantes do Game Pass seriam afetados pelos novos limites de cinco a 15 horas de tempo de jogo em streaming por mês. Isso sugere que o streaming na nuvem é um interesse de nicho mesmo quando incluído gratuitamente com uma assinatura. A questão agora é quantos não assinantes pagarão por hora para transmitir jogos que já possuem. A Microsoft está prestes a descobrir, uma hora de 24 centavos de cada vez.