Em Portland, Victoria, a chegada da gripe aviária H5 transformou a praia em um quadro sombrio de aves mortas e sofrendo, com moradores como Lynn Murrell, presidente da Aliança Ambiental do Sudoeste, descrevendo a situação como 'bastante sombria'. Mas enquanto as baixas aviárias aumentam - 17 eventos confirmados em trinta-réis-de-crista, pegas, gaivotas-prateadas e corvos, com muitos outros suspeitos - a maior preocupação da comunidade é um ícone local rechonchudo: Sammy, o elefante-marinho-do-sul.

Sammy, um macho que 'meio que adotou a cidade', frequenta a orla, o porto e, às vezes, as hortas comunitárias. Ele é uma 'grande atração turística', diz Murrell, e os moradores 'odiariam vê-lo pegar a gripe'. A preocupação não é infundada - Sammy foi visto perto de aves presumivelmente mortas por H5N1, e o vírus já foi confirmado em um lobo-marinho em Beachport, Austrália do Sul, a apenas duas horas de carro.

O Prof. Rob Harcourt, da Universidade Macquarie, explica que elefantes-marinhos como Sammy são 'personagens' e 'os animais mais gregários que você já viu', por isso as comunidades os nomeiam. Eles também são 'tigmotáticos', ou seja, adoram deitar encostados uns nos outros e se reconhecem cheirando os rostos. Esse comportamento afetuoso, embora cativante, os torna vulneráveis ao vírus, pois muitas vezes compartilham espaços com aves selvagens.

As apostas são altas: os elefantes-marinhos-do-sul estão listados como vulneráveis nas leis ambientais federais, e uma avaliação nacional os coloca em 'risco muito alto' de gripe aviária H5. A cepa mortal já matou mais de 13.000 filhotes na Ilha Heard em 2025 e 2026. Os leões-marinhos australianos, listados como ameaçados de extinção, são ainda mais preocupantes devido ao seu baixo número. 'Leões-marinhos são como os labradores do mar - amigáveis, brincalhões, curiosos', diz Harcourt. 'Ficarei total e completamente arrasado se os perdermos.'

Enquanto isso, voluntários se apressam para eutanasiar humanamente aves doentes, que estão morrendo de forma lenta e dolorosa. 'Isso é um curativo sobre uma ferida sangrando', diz David Mould, da Aliança da Vida Selvagem de Victoria. 'Isso não é uma solução. São alguns voluntários tapando o buraco do que deveria ser uma grande operação governamental.' O declínio é rápido: as aves perdem a capacidade de andar, cambaleiam com convulsões e abrem as asas para se apoiar até colapsarem.

Enquanto a comunidade espera ansiosamente pelo destino de Sammy, o conselho começou a remover algumas carcaças onde 'riscos inaceitáveis de amenidade pública ou segurança foram identificados', embora o governo estadual aconselhe deixá-las no lugar. Por enquanto, a foca querida de Portland continua sendo um símbolo de charme e vulnerabilidade diante de um vírus implacável.