Novo líder do Partido Trabalhista Escocês apoia campos de petróleo, porque nada diz 'racional' como dobrar a aposta nos combustíveis fósseis
O novo líder do Partido Trabalhista Escocês, Michael Marra, apoia os campos de petróleo de Rosebank e Jackdaw, porque 'racional' é apenas uma palavra chique para 'precisamos de votos'.
Num movimento que não surpreenderá absolutamente ninguém que tenha prestado atenção à crise de identidade em curso do Partido Trabalhista, o novo líder do Partido Trabalhista Escocês, Michael Marra, apoiou o desenvolvimento dos campos de petróleo e gás de Rosebank e Jackdaw no Mar do Norte. Porque quando pensa em "novo começo", pensa em "mais perfurações".
Marra, deputado pelo Nordeste da Escócia, conquistou uma maioria de quase dois terços para liderar o partido no Holyrood no sábado, tornando-se o 11.º líder do Partido Trabalhista Escocês. Substitui Anas Sarwar, que se demitiu em julho para se juntar ao novo governo de Andy Burnham como ministro do comércio - presumivelmente porque ser ministro do comércio é mais fácil do que explicar a estratégia eleitoral do Partido Trabalhista Escocês.
Marra, nascido em Dundee, disse que instaria o primeiro-ministro britânico a apoiar ambos os projetos de combustíveis fósseis, apesar dos avisos sobre o seu impacto ambiental. Nenhum dos projetos está abrangido pela proibição de novas licenças de perfuração no Mar do Norte porque as suas candidaturas já estavam no sistema quando o governo trabalhista tomou posse. Há uma expectativa crescente de que os ministros aprovem o campo de gás Jackdaw nas próximas semanas, porque nada diz "liderança climática" como dar luz verde a campos de gás.
"Quero que Rosebank e Jackdaw sejam aprovados", disse Marra aos repórteres logo após a sua eleição. "É a maior questão na minha região em termos de intenção de voto das pessoas. Precisamos de ter uma posição política mais racional que entregue para a economia escocesa e os empregos escoceses." Ah, sim, "racional" - a palavra que os políticos usam quando querem dizer "tudo o que nos dê votos".
No seu discurso de aceitação no museu de ciências Dynamic Earth em Edimburgo - um local que presumivelmente não endossou a sua política energética - Marra disse que passaria tempo a reconectar-se com os eleitores escoceses após uma derrota brutal nas eleições deste ano.
"Pode doer tanto porque sabemos que o SNP não merecia um quinto mandato no poder. Mas a verdade é que a Escócia não achava que seríamos muito melhores", disse ele. Um raro momento de honestidade na política.
"Os escoceses sabem contra o que estamos. Não conseguem dizer o que defendemos. E esse vazio foi preenchido pelo veneno, racismo e fanatismo do Reform. Temos de ser claros nos nossos valores. Temos de liderar com os nossos valores", disse ele. Porque nada preenche um vazio de valores como apoiar campos de petróleo.
"Há uma década, a Escócia tem ficado mais fraca. Temos de nos reconectar com o país se alguma vez quisermos formar um governo no Holyrood para enfrentar estes desafios históricos."
Marra enfrenta uma batalha difícil para reverter a sorte do partido na Escócia. Enquanto 37 deputados trabalhistas da Escócia estão em Westminster, o partido perdeu assentos em todas as eleições do Holyrood desde a devolução em 1999. Em maio, o partido sofreu os seus piores resultados de sempre - conquistando apenas 17 assentos enquanto o SNP manteve o poder. O Partido Trabalhista tem tantos assentos quanto o Reform no Holyrood, apenas dois a mais que o Partido Verde Escocês e cinco a mais que os Conservadores. Então, basicamente, estão a ganhar em perder.
Numa campanha discreta com poucas diferenças políticas entre os candidatos, tanto Marra quanto o seu principal rival, Joe Fagan, foram criticados por terem dificuldade em delinear as circunstâncias em que a Escócia deveria ter permissão para um segundo referendo de independência. Marra disse que achava que o partido se tinha tornado demasiado focado nos eleitores da classe média e prometeu construir uma coligação eleitoral mais ampla centrada nas necessidades do país. Quando questionado novamente sobre o nível de apoio público que significaria que a Escócia deveria ter um segundo referendo de independência, Marra disse que o fracasso do SNP em obter uma maioria absoluta no Holyrood em maio sinalizou que não era uma prioridade para os eleitores.
"O povo da Escócia não quer um referendo agora. Continuaremos a defender uma Escócia mais forte numa Reino Unido em mudança. É imperativo para mim que não estejamos nisto pelo status quo. Estou nisto para garantir que possamos ver uma Escócia mais forte", disse ele. Mais forte, presumivelmente, no sentido dos combustíveis fósseis.
No total, 6.751 votos foram expressos na eleição de liderança, representando 49,43% do colégio eleitoral do Partido Trabalhista Escocês.
The Good Times
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