Num movimento que encapsula perfeitamente a experiência moderna de assinatura, a Microsoft anunciou na terça-feira que está baixando o preço do seu serviço Game Pass enquanto simultaneamente remove o centro suculento da sua oferta: acesso no dia do lançamento aos novos jogos Call of Duty. Os assinantes podem agora pagar menos pelo privilégio de receber menos.
Especificamente, o preço de uma assinatura Game Pass Ultimate nos EUA cairá para US$ 22,99 por mês, em vez de US$ 29,99, uma redução de aproximadamente 23%. O mais limitado PC Game Pass cairá para US$ 13,99 por mês, em vez de US$ 16,49, uma queda de cerca de 22%. O problema? Os novos títulos Call of Duty não estarão mais disponíveis no Game Pass no lançamento, chegando apenas na temporada de férias seguinte. As entradas anteriores da série permanecerão.
A CEO da Xbox, Asha Sharma, numa publicação nas redes sociais, afirmou: "O Game Pass Ultimate tornou-se demasiado caro para demasiados jogadores", um sentimento que convenientemente ecoou um memorando interno vazado da semana passada. Ela prometeu que a empresa "continuará a aprender e a evoluir o Game Pass", um processo que aparentemente envolve remover um dos seus blockbusters mais caros de fornecer.
Este ajuste de preço é uma reversão notável da trajetória do serviço. Desde o seu lançamento em 2017 como uma coleção de cerca de 100 jogos de consola por US$ 10 por mês, o Game Pass Ultimate inchou para incluir mais de 500 jogos de consola, Ubisoft+ Classics, EA Play, jogos para PC, streaming na nuvem e serviços multijogador. O seu preço subiu em conformidade, incluindo um aumento pesado de 50% para o Game Pass Ultimate apenas em outubro passado.
A lógica financeira é clara. Um relatório da Bloomberg do ano passado citou um funcionário anónimo da Microsoft estimando que a empresa perdeu US$ 300 milhões em vendas diretas de Call of Duty devido à sua inclusão no Game Pass, que viu apenas um crescimento limitado de assinantes após adicionar a franquia em 2024. As mudanças de hoje parecem projetadas para tapar essa fuga de receita enquanto ainda oferece uma taxa mensal mais baixa.
O movimento também ajuda a Microsoft a evitar algum constrangimento regulatório persistente. Quando a empresa aumentou o preço do Game Pass Ultimate de US$ 16,99 para US$ 19,99 em 2024, a Comissão Federal de Comércio - ainda a apelar da fusão com a Activision - notou que isso "coincidiu com a adição de Call of Duty ao nível mais caro do Game Pass". A FTC também apontou que a Microsoft tinha anteriormente prometido que o acordo com a Activision traria Call of Duty para o Game Pass com "nenhum aumento de preço para o serviço". O corte de preço de hoje, embora removendo o título principal, tecnicamente mantém essa promessa.
Esta redução de preço chega num cenário mais amplo onde as assinaturas de entretenimento têm visto aumentos massivos. Dados federais mostram que elas subiram bem acima da inflação em 2025, e 2026 já trouxe aumentos significativos para Netflix, Spotify, CrunchyRoll e YouTube Premium. Nesse contexto, o movimento da Microsoft para baixar um preço, mesmo enquanto remove valor, é um ato raro e calculado de aparente generosidade.