Quanto mais cedo admitirmos que os Estados Unidos perderam a guerra com o Irã e pararmos de lutar, melhor — porque temos muita limpeza pela frente. O secretário de Defesa Pete Hegseth disse ao Senado na terça-feira que Washington alcançou "uma vitória militar histórica", espumando de raiva enquanto falava. Mas como um certo prussiano morto observou, guerras são travadas por objetivos políticos, não apenas militares. Nessa frente, os EUA falharam espetacularmente.

Antes da guerra, o Irã tinha um líder supremo cauteloso. Agora é administrado por um grupo de tipos ainda mais extremos e menos cautelosos. O Estreito de Ormuz, antes aberto, está em grande parte fechado. O Estreito de Bab el-Mandeb também está fechado graças aos amigos houthis do Irã. Executivos de energia americanos alertaram sobre escassez de petróleo, e embora as importações chinesas tenham evitado o desastre por enquanto, Exxon e Chevron dizem que uma crise energética é inevitável. O Pentágono admite ter gasto US$ 37,5 bilhões, mas o número real é certamente maior. Jogar mais dinheiro bom atrás de ruim parece imprudente.

Para mitigar os danos, os EUA e aliados precisam garantir rotas alternativas de petróleo. O Oleoduto Leste-Oeste através da Arábia Saudita já move 7 milhões de barris por dia, e os sauditas podem dobrar a capacidade. Os Emirados Árabes Unidos têm um oleoduto semelhante que também precisa de expansão. Oleodutos são vulneráveis a drones, mas fáceis de reparar. Os EUA devem incentivar ramais através do Iêmen e Omã. A Chevron está conversando com o Iraque sobre um oleoduto através da Síria. Além disso, talvez não seja o melhor mês para cortar subsídios à energia eólica e solar.

A guerra expôs uma falha de imaginação no planejamento militar dos EUA. Drones e mísseis iranianos baratos causaram estragos em bases, matando tropas em seus alojamentos. Os planejadores americanos deveriam ter aprendido com a Ucrânia, onde drones devastam ativos russos há anos. Esta é provavelmente a guerra de drones mais fácil que os EUA já travarão; combater essa tecnologia só ficará mais difícil.

Finalmente, Washington precisa de ideias novas para restabelecer a dissuasão com o Irã. Antes da guerra, o Irã não bloqueava o Estreito de Ormuz nem corria para armas nucleares porque o poder dos EUA os dissuadia. Mas como Thomas Schelling observou, a dissuasão está na ameaça de uso — uma vez que você realmente faz a coisa, o inimigo para de temê-la. A administração Trump desperdiçou dois elementos de dissuasão: ataques às instalações nucleares do Irã não "obliteraram" o programa, e os danos convencionais não dissuadiram o Irã de atacar parceiros ou interromper o transporte marítimo. A administração precisa de um acordo ou de um novo elemento de dissuasão, rápido. Os promotores da guerra conseguiram o que pediram, e foi um desastre. Então, e agora?