Empresa de lobby oferece dinheiro por cobertura favorável, porque se dar ao trabalho com advertoriais?
A CT Group, empresa de lobby fundada por um estrategista conservador, ofereceu dinheiro a jornalistas por cobertura favorável, porque nada diz 'lobby ético' como pagar por notícias que parecem independentes.
Uma empresa de lobby político cofundada pelo homem que ajudou David Cameron e Boris Johnson a vencer eleições foi flagrada oferecendo pagamento a jornalistas para escreverem histórias elogiosas sobre seus clientes em jornais britânicos, revelou uma investigação do Guardian.
A CT Group, fundada pelo estrategista de campanha Lynton Crosby, aparentemente acredita que, se não pode comprar um político, ao menos pode comprar a cobertura jornalística que os influencia. Repórteres disfarçados foram informados de que a empresa havia pago jornalistas para publicar histórias aparentemente independentes, oferecendo centenas de libras em incentivos em dinheiro para um cliente do setor imobiliário em troca de maior controle editorial.
A investigação começou depois que Gavin Stollar, chefe da divisão imobiliária da CT e ativista do Partido Liberal Democrata agraciado com OBE em 2024, abordou um jornalista freelancer com uma proposta: escrever um artigo culpando o Regulador de Segurança de Edifícios (criado após o incêndio da Grenfell Tower que matou 72 pessoas) pela escassez de moradias no Reino Unido, e a CT Group ajudaria com pesquisa e estudos de caso. O jornalista receberia pagamento tanto do jornal quanto da CT Group.
Outros funcionários da CT então ofereceram ao jornalista £100 por história publicada para uma empresa de guarda de propriedades, Live-In Guardians, e £500 para presidir uma mesa-redonda. Eles queriam peças que não parecessem advertoriais, mas que mantivessem "a mensagem e o objetivo geral do nosso cliente em mente". Um sugeriu um "chamado à ação da indústria para que [Andy] Burnham seja inteligente sobre isso".
Quando o jornalista expressou desconforto por ser pago sem o conhecimento do jornal, um lobista respondeu que os editores "instantaneamente rejeitariam" se soubessem. Outro disse que a CT já havia pago um jornalista contratado que "nunca revela aos editores de onde obtém suas fontes". A declaração da empresa negou ter pago o jornalista disfarçado, alegando que ele "nos perseguiu incansavelmente" e que eles "nunca pedem que jornalistas ajam de forma contrária aos seus padrões profissionais e éticos".
A CT Group, que fatura £40 milhões por ano e tem entre seus clientes a Airbus Defence and Space, a Philip Morris e o proprietário do Manchester City, possui um código de conduta que afirma que "nunca fazemos nada que não possamos justificar publicamente". O Guardian e o Financial Times têm códigos que exigem que jornalistas divulguem tais acordos. Os lobistas sugeriram que o jornalista apresentasse histórias a esses jornais sem revelar o envolvimento da CT, porque "nós meio que ficamos por trás disso".
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