Deputados investigam pobreza infantil no País de Gales, onde uma em cada três crianças é pobre e a cama é literalmente escorada em livros
Deputados lançam inquérito sobre a pobreza infantil no País de Gales, onde 32% das crianças vivem em pobreza relativa e a cama de uma mãe era sustentada por livros — porque nada diz 'nivelar por cima' como uma perna bamba.
Deputados do Comité de Assuntos Galeses do Parlamento do Reino Unido abriram na quarta-feira um inquérito sobre o fim da pobreza infantil no País de Gales, um país que passou duas décadas a aperfeiçoar a arte de nada fazer sobre o assunto. O País de Gales detém a dúbia honra de ter a maior taxa de pobreza infantil de qualquer nação do Reino Unido, com 32% das crianças a viverem em pobreza relativa após custos de habitação, segundo as últimas estatísticas oficiais. Uma criança é considerada em pobreza relativa se o rendimento do seu agregado familiar cair abaixo de 60% da mediana do Reino Unido — um limiar que, aparentemente, continua teimosamente por cumprir para cerca de uma em cada três crianças galesas, como acontece há 20 anos.
Sarah Ruscoe, mãe solteira de Barry que está desempregada devido a uma condição de saúde, ofereceu aos deputados e à BBC uma ilustração vívida do que essa estatística significa na prática. "Eu estava a dormir no sofá, ela tinha uma cama que estava escorada em livros", disse ela sobre a filha Sabrina, de 11 anos. "Uma das pernas tinha caído completamente." Ruscoe, utilizadora de banco alimentar, disse que temia que a cama colapsasse durante a noite, descrevendo a sua situação financeira como "dramática" e notando que "todos os anos parecem estar a piorar". A instituição de caridade Action for Children acabou por pagar uma nova beliche e colchão, o que Ruscoe disse ter feito uma "diferença enorme" — "Agora é um pequeno ninho. Decorámo-lo. Ninguém mais dormiu nele."
Há três anos, Ruscoe estava a tentar substituir a cama "manca" de segunda ou terceira mão de Sabrina. "Estava a tornar-se angustiante", disse ela. "Estava a ter dificuldade em encontrar um sítio onde pudesse pagar uma, e também não ter a melhor classificação de crédito do mundo significava que tinha de pagar duas ou três vezes o que teria pago se tivesse simplesmente ido a uma loja e comprado a pronto." Descreveu a aritmética sombria dos benefícios: "Até esse momento era preocupação e tentar perceber, talvez se não pagasse esta conta talvez pudesse poupar algum dinheiro aqui, do que é que podia prescindir, tentar descobrir qual empresa tinha a TAEG mais baixa num artigo que pudesse pagar. Não há assim tanto por aí, especialmente quando ouvem que se está a receber benefícios."
Ruscoe, que costumava trabalhar num centro de emprego, disse que a sua condição de dor crónica, fibromialgia, a deixava fatigada e com dores, e quando agravava, incapaz de se mover. "Não trabalho devido às minhas deficiências, por isso é uma questão de benefícios, e é assim que sobrevivemos, e este ano parece pior do que o ano passado. Todos os anos parecem estar a piorar. No ano passado consegui poupar dinheiro ao longo do ano para o Natal e este ano não consegui de todo. Tudo aumentou. Só se pode apertar o cinto até certo ponto em tudo e depois perceber que cada cêntimo que se poupou ainda não cobre todas as contas e despesas." Avisou que qualquer pessoa pode encontrar-se numa crise devido a problemas de saúde ou a um acontecimento inesperado na vida. A Action for Children também ajudou a família um ano com um cartão-presente para supermercados locais antes do Natal.
O comité ouviu Laurie Ryall, diretora da Action for Children no País de Gales, que disse que a ausência de um ponto único de acesso ao apoio deixava frequentemente as famílias a sentirem-se sobrecarregadas. "Nem sempre sabem a que têm direito ou para onde ir, é confuso, é um campo minado", disse Ryall. Mabli Jones, do think tank Bevan Foundation, disse aos deputados que, embora a pobreza infantil se tenha mantido no mesmo nível durante duas décadas, "o que tem acontecido à superfície é que a pobreza se tornou mais profunda". Notou que 47% das pessoas em pobreza no País de Gales vivem em "pobreza muito profunda" — um rendimento igual ou inferior a 40% da mediana. "As famílias que experienciam esse tipo de pobreza provavelmente estão a passar sem muitas das necessidades básicas."
Um porta-voz do governo do Reino Unido disse: "Estamos determinados a inverter a maré da pobreza, e a nossa estratégia marcante de pobreza infantil tirará 550.000 crianças da pobreza no último ano deste parlamento — a maior redução da pobreza infantil desde que há registos." Disseram que abolir
The Good Times
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