Os livros de história estão cheios de cadáveres de gravadoras corporativas iniciadas por empresas que não tinham nada a ver com a indústria musical. A Bose acha que pode ser a exceção à regra. Acha que pode ser a Red Bull. E, embora a Bose tenha mais direito de mergulhar no mundo da mídia do que a Build-a-Bear, há pouca razão para acreditar que pode ter sucesso onde tantos outros falharam.

Em uma entrevista ao Business Insider, o CMO da Bose, Jim Mollica, disse que a empresa criou a Bose Studios como parte de uma mudança em relação ao tradicional "marketing baseado em campanhas". Um grande elemento disso será a Bose Records, uma nova gravadora que a empresa formou para "ajudar a lançar artistas subestimados ou novos". A concorrência não são as três grandes — Sony, UMG, Warner — são as gravadoras independentes já sendo espremidas em uma era de produtores de quarto e autodistribuição.

Mollica foi transparente sobre o verdadeiro objetivo, no entanto: construir um acervo de músicas que a Bose pudesse usar em seus comerciais sem ter que pagar os direitos de licenciamento. Ele disse que a empresa não seria dona dos masters dos artistas nem ficaria com uma parte de sua receita de streaming ou vendas, e que eles seriam livres para assinar com outras gravadoras. Isso parece extremamente amigável ao artista à primeira vista, o que é ótimo. Mas ainda há muito que não sabemos sobre o novo empreendimento.

A Bose é conhecida principalmente por fabricar equipamentos de áudio de consumo que tentam se passar por sofisticados. A maioria dos audiófilos dirá rapidamente que os produtos Bose são superfaturados e, na melhor das hipóteses, apenas razoáveis. O que a empresa é inegavelmente boa é em marketing. Mas vender alto-falantes Bluetooth medíocres a preços inflacionados é muito diferente de descobrir talentos e promover artistas. Mollica não mencionou a contratação de talentos de A&R de outras gravadoras ou parcerias com celebridades chamativas para o lançamento. Embora ele tenha mencionado que alguns "nomes lendários de Hollywood" estavam ligados a filmes e séries de TV encomendados pela Bose Studios.

O que nos leva a outro problema: falta de foco. Simplesmente lançar uma gravadora já é difícil o suficiente. Por que a Bose — novamente, cuja experiência principal é na fabricação de hardware de áudio — acha que também pode lançar um estúdio de cinema, uma rede de podcasts e uma produtora de eventos ao vivo? Todas essas são coisas que Mollica disse estar em andamento, de acordo com o Business Insider.

Talvez a Bose me prove errado. Mas parece igualmente provável que a Bose Records acabe listada ao lado de Starbucks' Hear Music, Scion A/V, W Records (W Hotels), Green Label Records (Mountain Dew) ou TAG Records (Procter & Gamble).

Claro, você pode argumentar que a Bose, como empresa de áudio, tem mais direito de mergulhar na indústria musical do que esses empreendimentos fracassados. Mas eles contaram com endossos de celebridades, parcerias com gravadoras maiores ou, no mínimo, algum gancho cultural específico. A Bose Studios parece apenas desesperada e sem foco.