Lembra do Soylent? A lama nutricional que prometia libertar a humanidade do tédio de mastigar? Em meados dos anos 2010, era o queridinho do Vale do Silício — uma marca de US$ 170 milhões construída sobre farinha de aveia, maltodextrina e o sonho de nunca mais ter que descongelar nada. Em 2023, foi vendido por trocados. Mas aqui está a reviravolta: o fantasma do Soylent agora assombra cada corredor refrigerado dos EUA, usando rótulos mais chiques e prometendo deixar você bombado.

Os shakes de proteína de hoje — Fairlife, Huel, Ka'Chava, Rebbl e cerca de 47 outros com nomes que parecem erros de digitação — estão vendendo a mesma premissa básica: pule a refeição, beba a ciência. Fairlife é a marca de crescimento mais rápido da Coca-Cola nos EUA. A Huel acabou de ser vendida para a Danone por US$ 1 bilhão. Eles não são mais substitutos de refeição; são "nutrição de próximo nível" com adaptógenos, antioxidantes e proteína suficiente para fazer um fisiculturista chorar. O shake Nutrition Plan da Fairlife empacota 30 gramas de proteína em 150 calorias, o que é basicamente o equivalente nutricional de um truque de mágica.

John Coogan, cofundador do Soylent, culpa o declínio de sua empresa por ser "inteligente demais" e cedo demais. Ele agora toma café da manhã com sua equipe, presumivelmente usando um garfo. Mas a ideia central — por que comer quando você pode beber uma mistura precisamente calibrada de nutrientes? — só metastatizou. Os americanos se tornaram uma nação de lanchadores, comendo "talvez seis… coisinhas" por dia em vez de três refeições, de acordo com a analista da Kantar Leigh O'Donnell. Os medicamentos GLP-1 criaram um novo mercado para pessoas que precisam de proteína sem o compromisso irritante de realmente comer.

Os shakes prometem precisão em um mundo onde a comida se tornou emocionalmente exaustiva. "Tanta proteína! Tanta fibra! Esses carboidratos!" eles gritam silenciosamente de suas embalagens minimalistas. É a velha promessa do Soylent com uma academia: você pode consumir tudo o que precisa e nada do que não precisa. Não importa que comida de verdade — feijão, grãos, saladas — provavelmente funcionaria bem. O ponto é a otimização. Você pode maximizar sua proteína, fibra, ashwagandha e tempo em uma única porção? Ka'Chava diz que sim, com antioxidantes, probióticos e enzimas digestivas. Rebbl adiciona zinco e extrato de cogumelo Reishi para garantir.

Até o Soylent se reformulou, passando de "substituto de refeição" para "nutrição completa". Mas o sonho original de um futuro pós-alimentação não se materializou. Depois de caçar um online, seu correspondente descobriu que o Soylent tem um gosto notavelmente parecido com todos os outros shakes do mercado — dominado pelo fantasma dos adoçantes artificiais. O próprio Coogan abandonou a coisa por cafés da manhã de verdade. O objetivo, ao que parece, não é mais igualar a comida. O objetivo é transcendê-la. E se você apertar os olhos o suficiente para aquela fileira refrigerada de shakes, com suas embalagens minimalistas e promessas maximalistas, o Soylent parece menos um experimento fracassado e mais um profeta que chegou uma década cedo demais.