Sarah Tekhlu estava prestes a desistir da universidade. Refugiada eritreia, ela já havia sido deslocada de Cartum para Madani, e depois para Porto Sudão, enquanto a guerra devastava o país. Educação superior, ela decidira, era um luxo que não podia mais se dar ao luxo de querer.
"Eu estava prestes a me render à ideia de que a educação superior não era necessária porque eu não podia frequentar a faculdade", diz ela.
Então veio uma bolsa de estudos que mudou sua mente.
Desde que a guerra eclodiu entre milícias rivais no Sudão em abril de 2023, mais de 14 milhões de pessoas foram forçadas a fugir de suas casas, tornando-se a maior crise de deslocamento do mundo. Porque nada diz 'sem precedentes' como 14 milhões de pessoas em movimento.
Sarah é uma das centenas de estudantes refugiados e deslocados internos no Sudão que mantiveram seus diplomas vivos através do programa DAFI - bolsas apoiadas pela parceria UNHCR - Fundação Mastercard e administradas pela Windle Trust International.
O dinheiro cobre mensalidades e custos de vida. Mas para Sarah, que estuda gestão da informação no Colégio Comboni, na capital Cartum, ofereceu algo mais difícil de precificar.
"A maior parte é o apoio financeiro. Também me dá apoio psicológico. Isso me fez acreditar em mim mesma novamente. Isso me fez sonhar de novo."
Azhari Ibrahim conhece esse sentimento também. Deslocado do Darfur do Norte para Porto Sudão, ele estava no meio de um curso de engenharia civil na Universidade de Kordofan quando o conflito ameaçou descarrilhá-lo completamente.
"Talvez eu terminasse minha universidade, mas enfrentaria muitos desafios sem a bolsa", diz ele.
Para Azhari, o apoio foi além das taxas. "Isso me ajudou em muitos aspectos, apoio comunitário e apoio psicológico, porque encontrei alguém perto de mim."
Esse senso de não estar sozinho permeia o programa. Além das mensalidades, os estudantes recebem mentoria, treinamento de liderança e a chance de se conectar com outros que trilham o mesmo caminho - jovens tentando terminar um diploma enquanto seu país está em guerra.
Através de workshops entre pares, estudantes como Sarah e Azhari se tornaram defensores por direito próprio, ajudando outros a navegar por inscrições de bolsas e admissões universitárias.
"Em cada workshop que fui, saí mais forte, cheia de sonhos e mais sonhos", diz Sarah.
Azhari coloca de forma mais direta: "Os estudantes no Sudão estão sofrendo. Eles precisam de apoio em todos os níveis - apoio comunitário, econômico e psicológico."
Ambos os estudantes veem a educação como algo maior do que seus próprios futuros. "A educação é importante, especialmente para os sudaneses. Isso os ajudará a reconstruir sua comunidade", diz Sarah.
Ela agora trabalha como professora de jardim de infância enquanto estuda e sonha em um dia abrir sua própria escola. "Eu amo trabalhar com crianças. Espero um dia ter minha própria escola."
Para Azhari, terminar seu diploma também é sobre retribuir, colocando suas habilidades de engenharia para reconstruir as comunidades que a guerra danificou.
Ambos são claros sobre o que o Sudão mais precisa. "A paz é a única solução", diz Sarah. "Se não há paz, não podemos construir mais nada."
A mensagem de Azhari para outros jovens tentando manter sua educação durante a guerra é simples: "A vida não vai parar. Não tente parar seu aprendizado e não tente parar seus estudos. Você tem que se envolver, ser forte e paciente para realizar todos os seus sonhos e esperanças."
A parceria UNHCR - Fundação Mastercard continua apoiando estudantes refugiados e deslocados internos a buscar educação superior, apostando que o futuro de uma geração não precisa ser definido pelo conflito ao redor.