Um plano simples, na verdade. O inspetor Khawar e seus homens levariam um prisioneiro algemado a uma mina de urânio abandonada nas colinas, atirariam nele e chamariam de "encontro" — esse eufemismo útil da polícia paquistanesa para uma execução extrajudicial que soa como um encontro às cegas romântico. Mas, de alguma forma, o universo decidiu que hoje não era o dia para papelada arrumada e uma noite cheia de melhores momentos do críquete.
Khawar, um inspetor recém-promovido supervisionando seu primeiro encontro, se viu duvidando de tudo. O plano original de atirar no homem perto da delegacia foi descartado porque muitos trabalhadores diaristas conheciam a vítima — Usmaan, um fazendeiro de meados dos 40 anos que parecia uma década mais velho — e isso criaria "complicações". Então, em vez disso, arrastaram-no para as colinas perto das minas de urânio, onde lama amarela escorre pelas encostas e os locais reclamam de doenças misteriosas em seus filhos e no gado.
O crime de Usmaan? Ele estava despejando animais mortos — vacas, búfalos, cabras — na Estrada Sakhi Sarwar, a rota principal para um santuário popular, para protestar contra os danos ambientais das minas. "Ninguém se importava", disse ele, "então tive que fazer as pessoas verem". Infelizmente, seus bloqueios forçaram os peregrinos a pegar estradas secundárias onde uma nova gangue de salteadores os roubava. Quando Khawar não conseguiu encontrar os verdadeiros líderes da gangue, decidiu que matar Usmaan seria "bom o suficiente" para restaurar a reputação do distrito.
Mas a execução saiu dos trilhos. Os policiais não conseguiram tirar as correntes. Khawar não conseguiu puxar o gatilho. Usmaan fez um discurso apaixonado sobre amar seus animais, os problemas respiratórios de seu filho e os barris de veneno enterrados. Então, surpreendentemente, ele concordou em correr para que pudessem atirar nele pelas costas — protocolo padrão de encontro — e ele disparou colinas acima. Os policiais atiraram e atiraram. Ele continuou correndo. Eles o perseguiram por uma crista. E então… nada. Ele desapareceu. Nenhuma vala, nenhum corpo, nenhuma explicação. Depois de uma hora e meia de busca, dirigiram de volta a DG Khan em silêncio, com Pervaiz dormindo e Musa roendo as unhas.
O inspetor Salim Mirza de Karachi, lendário por suas centenas de encontros, não teria tolerado essa bobagem. Mas Khawar fica com o fantasma de um homem morto, um cadáver desaparecido e a sensação incômoda de que o universo tem um senso de humor — só não do tipo que ajuda a preencher sua papelada.