A Nigéria está se preparando para trazer seus cidadãos de volta da África do Sul, onde a hospitalidade tem sido menos que acolhedora. A ministra das Relações Exteriores, Bianca Odumegwu-Ojukwu, anunciou que 130 candidatos já se inscreveram para a repatriação voluntária, com mais esperados. Isso ocorre em meio a uma onda de ataques a estrangeiros que o presidente Bola Tinubu chamou de "profundamente preocupante", embora ele tenha parado antes de chamar de cenário de 'primeiro encontro ruim'.
Em uma declaração repleta de contenção diplomática, a Nigéria condenou a "retórica xenófoba, discursos de ódio e declarações incendiárias anti-migrantes" que caracterizaram manifestações recentes. Eles também convocaram o alto comissário interino da África do Sul, presumivelmente para perguntar: 'Qual é a dessa violência toda?'
A situação escalou a ponto de grupos anti-imigrantes pararem pessoas fora de hospitais e escolas para exigir documentos de identidade, porque nada diz 'somos uma nação acolhedora' como uma verificação surpresa de documentos. Pelo menos dois nigerianos foram mortos em incidentes separados envolvendo seguranças locais, e quatro etíopes também perderam suas vidas, provando que o universo tem um péssimo senso de humor.
O presidente sul-africano Cyril Ramaphosa condenou os ataques, mas também lembrou os estrangeiros de respeitar as leis locais, o que é um pouco como dizer 'por favor, não me bata' enquanto dá um soco. Ele usou seu discurso do Dia da Liberdade para lembrar os sul-africanos do apoio que outras nações africanas deram durante a luta anti-apartheid, mas aparentemente a gratidão histórica tem prazo de validade curto.
A ministra das Relações Exteriores da Nigéria, Odumegwu-Ojukwu, insiste que "as vidas e negócios nigerianos na África do Sul não devem continuar em risco", e que os preparativos para voos de repatriação estão em andamento. Isso está longe dos dias em que os nigerianos só se preocupavam com suas recomendações da Netflix.
A África do Sul abriga cerca de 2,4 milhões de migrantes, muitos de países vizinhos como Lesoto, Zimbábue e Moçambique, que vieram para trabalhar. Mas alguns sul-africanos os acusam de serem ilegais, roubarem empregos e terem ligações com o tráfico de drogas. Porque quando a economia está difícil, é sempre mais fácil culpar o cara da esquina do que olhar no espelho.
Um nigeriano disse à BBC Pidgin: "Não está certo porque somos negros, somos irmãos... todo mundo vem aqui apenas para sobreviver." Enquanto isso, um segurança perguntou: "Imagine se temos medo em nosso próprio continente africano - e se formos para a Europa?" É uma pergunta justa, embora a Europa possa apenas oferecer um sabor diferente de hostilidade burocrática.
No mês passado, Gana também convocou o principal enviado da África do Sul depois que um ganês foi desafiado a provar seus documentos de imigração em vídeo. E no início deste ano, o sentimento anti-imigrante aumentou quando um líder comunitário nigeriano foi instalado em um papel tradicional que pode ser traduzido como 'rei', o que alguns locais viram como uma tomada de poder. Porque nada diz 'ameaça à soberania' como um cocar cerimonial.