Pelo menos oito pessoas morreram e mais de uma dúzia continuam desaparecidas depois de um barco de passageiros ter virado ao largo do norte do Chipre, segundo Ünal Üstel, primeiro-ministro da autoproclamada república turca local. O ferry, que transportava 259 passageiros e oito tripulantes, começou a fazer água depois de partir da cidade costeira de Kyrenia. O capitão e sete tripulantes foram detidos no âmbito de uma investigação sobre 'como ocorreu esta tragédia', escreveu Üstel nas redes sociais, porque aparentemente alguém precisa de explicar por que razão um barco com 267 pessoas a bordo pode virar em mar agitado.

Uma operação de busca e salvamento está em curso, com a participação das autoridades turcas. O ferry, de propriedade privada, deixou o popular resort turístico às 12:30 hora local (09:30 GMT), com partida prevista para a Turquia no sábado, mas atrasado devido ao mau tempo - porque o que seria umas férias sem um pouco de risco marítimo? Üstel disse à TRT que o barco foi atingido por duas ondas antes de virar; o capitão ainda se estava a recuperar da primeira onda quando a segunda o atingiu. Helicópteros e barcos da guarda costeira foram enviados, enquanto ambulâncias esperam na praia como pais preocupados à saída da escola.

Üstel disse que a 'prioridade agora é a vida humana', acrescentando que as forças de segurança, equipas de resgate e funcionários de saúde estão todos no local. Prometeu que o desastre será investigado a fundo e que 'mesmo a mais ligeira negligência será descoberta', garantindo: 'Ninguém será poupado, independentemente de quem seja, de quem for considerado culpado ou responsável' - uma declaração ousada de um governo que nem sequer é reconhecido internacionalmente.

Erhan Arikli, ministro dos Transportes da RTCN (reconhecida apenas pela Turquia, porque o Chipre está dividido desde 1974 e nada diz 'legítimo' como um país que só um outro reconhece), disse que 100 passageiros foram levados para terra. O Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, enviou condolências e disse que os esforços de busca 'continuam ininterruptos', porque nada diz 'compaixão' como uma cerimónia militar.

Mustafa Koc, um herói local, salvou cerca de 65 pessoas com o seu barco. Disse à BBC que a tripulação deveria ter esperado por mares mais calmos: 'Não era seguro para eles. O mar estava bastante agitado.' Acrescentou: 'Morreram pessoas. Não está certo' - um sentimento que deveria ter ocorrido à tripulação antes da partida. Koc notou que o barco tinha chegado a Kyrenia no sábado com 'alguns danos na frente', o que nunca é um bom sinal.

O ferry, uma embarcação rápida Filo Jet de 40 metros de comprimento e 10 metros de largura, navega sob bandeira da Turquia, segundo a Marine Traffic. No domingo à noite, o navio tinha afundado completamente, deixando apenas o casco virado ao contrário como um monumento sinistro. A Filo Denizcilik, a empresa operadora, disse estar 'profundamente entristecida pelo acidente trágico' - um comunicado de imprensa corporativo que pouco ajuda as famílias dos desaparecidos. Foi criada uma linha de apoio para os familiares, embora as nacionalidades dos que estavam a bordo e o estado dos feridos permaneçam por esclarecer. A televisão local mostrou pessoas em coletes salva-vidas no topo do casco, à espera de ajuda que, para alguns, nunca chegou.