Um medicamento que tem baixado a pressão arterial silenciosamente por décadas pode ser o parceiro que os medicamentos contra o câncer nunca souberam que precisavam. Um novo estudo do Dartmouth Cancer Center (DCC) revela que a telmisartana, um anti-hipertensivo aprovado pela FDA, aumenta significativamente o poder de matar o câncer do olaparibe, um inibidor de PARP normalmente reservado para tumores com defeitos específicos de reparo de DNA. As descobertas, publicadas no The Journal for ImmunoTherapy of Cancer, sugerem que o medicamento barato, seguro e amplamente disponível pode expandir o grupo de pacientes que se beneficiam dessa classe de terapias direcionadas.

"Este estudo mostra que um medicamento comum, seguro, tolerável, conveniente e barato pode melhorar significativamente o funcionamento de uma classe importante de terapias contra o câncer", disse Tyler J. Curiel, MD, MPH, FACP, autor sênior e principal do estudo, em uma declaração que parece boa demais para ser verdade.

Os inibidores de PARP, como o olaparibe, funcionam explorando fraquezas nos sistemas de reparo de DNA das células cancerígenas, particularmente aquelas com mutações BRCA. Mas muitos cânceres não têm esses defeitos, tornando os medicamentos inúteis, e até mesmo tumores responsivos frequentemente desenvolvem resistência. A equipe de Dartmouth descobriu que a telmisartana torna os tumores mais sensíveis aos inibidores de PARP, independentemente do status de reparo de DNA. Em experimentos pré-clínicos, a combinação aumentou os danos ao DNA dentro das células cancerígenas, enquanto ativava as defesas imunológicas — especificamente, aumentando os interferons tipo I que ajudam o sistema imunológico a detectar e atacar o câncer.

A telmisartana pertence à família dos bloqueadores dos receptores de angiotensina II (BRA), mas seus efeitos de potencialização do câncer parecem ser únicos entre seus pares. Ela também reduziu os níveis de PD-L1, uma proteína que os cânceres usam para se esconder do sistema imunológico. "A telmisartana tem vários efeitos anticancerígenos distintos que, juntamente com a terapia direcionada, podem tornar os tumores mais responsivos a diferentes tipos de tratamentos", disse Curiel, insinuando que os talentos do medicamento podem se estender além dos inibidores de PARP para quimioterapia e imunoterapia.

Como a telmisartana é tomada por via oral, tem um longo histórico de segurança e é bem tolerada mesmo por pessoas com pressão arterial normal, os pesquisadores já a estão testando em humanos. Dois ensaios clínicos no DCC estão em andamento: um em homens com câncer de próstata metastático resistente à castração (o primeiro participante supostamente teve uma "resposta excepcional") e outro em pacientes com câncer de ovário resistente à platina. "Estamos encorajados com o que estamos vendo até agora", disse Curiel, o que provavelmente é o eufemismo do ano para qualquer um que espera por um impulso barato e eficaz contra o câncer.