Jornalista Refugiado: 'Vamos para a Umerica' e Outras Razões para Ainda Acreditar na Promessa dos EUA Apesar de Tudo
Um ex-refugiado butanês tornado jornalista reflete sobre amar os EUA apesar de seus fracassos, desde vizinhos em Idaho que o ensinaram a dirigir até políticas que separam famílias - e por que ele ainda acredita na promessa da 'Umerica'.
Era uma tarde quente e seca na primavera de 2009. Um menino com uma camiseta grande demais e shorts presos por arame sentava-se debaixo de uma árvore em frente a um escritório de bambu, esperando uma van branca. Quando o logotipo da Organização Internacional para as Migrações apareceu, uma multidão avançou em direção a um homem que fixava listas na parede. Todos procuravam um número de caso de nove dígitos que determinaria seu futuro. O menino encontrou o número de sua família, correu pelo campo de refugiados no Nepal e irrompeu em sua cabana gritando: 'Mamãe, vamos para a Umerica.' Ele não conseguia pronunciar 'América', mas sabia que significava possibilidade.
Sua mãe, que havia enterrado quatro filhos e perdido tudo na limpeza étnica de mais de 100.000 nepaleses étnicos no Butão, ouviu algo diferente. América significava deixar para trás os últimos fios frágeis de um passado que ela ainda lamentava. Dois anos depois, após exames médicos e entrevistas de segurança, a família embarcou em um avião não para Cleveland, mas para Twin Falls, Idaho - uma cidade que o menino não conseguia encontrar no mapa.
Agora cidadão naturalizado e jornalista, Lok Darjee cobriu a morte de um refugiado rohingya abandonado pela patrulha de fronteira dos EUA, considerada homicídio; mães separadas de seus filhos; e um programa de refugiados que praticamente parou, enquanto abria exceções para sul-africanos brancos. Ele pergunta: Como amar um país cujo governo falha em seus ideais? Como amar vizinhos que receberam sua família com gentileza, depois votaram em políticas que poderiam tê-lo mantido fora?
A resposta, ele escreve, está em segurar duas verdades juntas. A pequena cidade de Idaho o ensinou a dirigir, trocar um pneu e chamar alguém para o baile - e então muitas dessas mesmas pessoas votaram em Donald Trump. A democracia, ele argumenta, nos pede para praticar tanto a honestidade quanto a graça. A América sempre conteve compaixão extraordinária e contradição profunda, da escravidão às políticas excludentes. Amá-la não exige ignorar nenhuma delas; exige mantê-las juntas.
Ele conclui: Em algum lugar, outra criança espera por uma lista em uma parede de bambu. Ele espera que eles ainda sussurrem 'América' como um país onde começos impossíveis se tornam vidas comuns. Essa é a América em que o menino gritando 'Umerica' acreditava. Ainda é a América em que ele acredita.
The Good Times
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