Autoridades de vida selvagem da Flórida decidiram que as raias gigantes — aqueles planadores oceânicos majestosos e ameaçados — ainda podem ser retiradas do mar, só não podem ser enviadas para o exterior para seu prazer de observação. A Comissão de Conservação de Peixes e Vida Selvagem da Flórida (FWC) votou na quarta-feira para adotar uma regra alterada que permite a captura de raias para "exibição responsável" nos EUA, mas apenas com o consentimento prévio direto da comissão.
A medida veio depois que um grupo bipartidário de 18 políticos, incluindo o congressista republicano Brian Mast e o senador estadual democrata Jason Pizzo, exigiu uma proibição total, impulsionada por um vídeo viral no verão passado mostrando cinco homens arrastando uma raia de cabeça para baixo em um barco particular sem identificação na Praia de Panama City. Essa captura foi autorizada por uma "licença de atividade especial" (SAL) da FWC, e a raia era destinada ao SeaWorld Abu Dhabi — uma das três retiradas das águas da Flórida para o parque temático dos Emirados Árabes Unidos em dois anos. Uma dessas raias morreu logo após a captura, e 25 SALs foram emitidas para raias gigantes desde 2019, com 75% destinadas a aquários internacionais, de acordo com o Tampa Bay Times.
Sob a nova regra, as raias não podem mais ser enviadas para aquários no exterior, e qualquer entidade dos EUA que queira exibir uma deve comprovar uma razão educacional. O Aquário da Geórgia, em Atlanta — atualmente a única instalação no país equipada para abrigar a espécie, que pode atingir 8 metros e 2.400 kg — é o provável beneficiário.
Lindsay Cross, representante estadual democrata e patrocinadora da Lei de Proteção de Animais Aquáticos Nativos Ameaçados (Manta) (que morreu no comitê em março), chamou a medida da comissão de "um passo à frente". Seu projeto teria proibido completamente a captura de espécies marinhas ameaçadas ou em perigo. "Embora eu e outros estivéssemos buscando uma proibição total", disse ela, "a regra alterada proibirá a exportação internacional de qualquer espécie federalmente ameaçada ou em perigo para fins de exibição ou educação". A regra também permite comentários públicos sobre futuras SALs.
Alicia Prygoski, do Fundo de Defesa Legal dos Animais, elogiou a "medida significativa", mas lamentou a remoção de um limite proposto de uma raia gigante a cada dois anos. "As raias gigantes são ameaçadas por uma razão", disse ela, "e merecem o mais alto nível de proteção, o que significaria, claro, não retirar nenhuma delas da água". Ainda assim, ela observou que a proibição de exportações internacionais foi uma resposta forte àquele vídeo viral e ao contato com as partes interessadas.
O presidente da FWC, Rodney Barreto, em um comunicado, disse que o painel ponderou as preocupações contra a necessidade de educação sobre espécies vulneráveis. "A FWC está comprometida com a conservação responsável de espécies ameaçadas e em perigo", disse ele. "Reconhecemos o papel que os aquários públicos desempenham na construção de apoio à conservação." Então, resumindo: você ainda pode pegar uma raia gigante, só não tente enviá-la para Dubai.