Sarah, Betty, Doll, Nan – apenas alguns dos nomes comumente dados a mulheres africanas escravizadas durante o tráfico transatlântico de escravos. Sabemos que sofreram violência sexual indescritível, mas agora essa história finalmente está recebendo os holofotes que merece. No mês passado, Gana sediou uma conferência de reparações 'histórica' onde a Comunidade do Caribe (Caricom) apresentou seu plano atualizado de 10 pontos para justiça reparatória. Intitulado Próximos Passos, o evento foi o primeiro grande encontro desde a resolução histórica da ONU em março que declarou o tráfico transatlântico de escravos o mais grave crime contra a humanidade. Concluiu com a adoção de um quadro global para justiça reparatória, incluindo pedidos de desculpas formais, compensação justa e alívio da dívida. O que foi particularmente marcante foi a demanda específica por compensação por violência de gênero, colocando a questão no centro da campanha global por reparação e retificação. O presidente de Gana, John Mahama, disse que 'as experiências históricas de mulheres e meninas não podem permanecer notas de rodapé na narrativa global.'

A professora Olivette Otele, historiadora da SOAS Universidade de Londres, nos disse que essa mudança já era esperada há muito tempo. 'Como alguém que trabalha nessa história há várias décadas, estou muito feliz', disse ela. Dos 20 milhões de africanos transportados à força através do Atlântico, cerca de 30% eram mulheres, e 1,2 milhão sofreram violência sexual, de acordo com o plano da Caricom. Um relatório da Brattle de 2023 sobre reparações pela escravidão transatlântica afirmou que era 'razoável supor que 100% das mulheres escravizadas com mais de 10 anos foram submetidas a abuso sexual por parte dos escravizadores.' Otele observa que, sob a doutrina do partus sequitur ventrem ('o que nasce segue o ventre'), codificada em 1662 na Virgínia, as mulheres escravizadas eram legalmente propriedade. 'As mulheres eram moeda de troca, podiam ser compradas, trocadas. Eram uma ferramenta reprodutiva, sendo engravidadas para extrair mais pessoas escravizadas, mais trabalho, mais lucro.'

Os legados dessa história continuam hoje, diz Otele, no misogynoir – termo cunhado por Moya Bailey para preconceito e sexismo dirigido a mulheres negras – e na adultificação de meninas negras jovens. 'Acho que isso abrirá o debate sobre violência de gênero', disse Otele, acrescentando que, assim como o aliciamento de meninas brancas da classe trabalhadora está finalmente sendo discutido, as experiências de meninas negras também devem ser reconhecidas. 'Nunca falamos sobre o aliciamento de meninas negras jovens. Elas estão no fundo da escala social como as meninas brancas jovens, mas suas histórias são ignoradas.'

Mas também é importante lembrar as mulheres negras na resistência – lutadoras pela liberdade como a Rainha Nzinga de Ndongo (atual Angola), Solitude de Guadalupe, Nanny dos Maroons na Jamaica e Nanny Grigg em Barbados. 'As mulheres sempre estiveram na vanguarda da resistência e da libertação negra', disse Otele. 'Elas trabalhavam nas casas, então tinham informações sobre o que acontecia na casa do senhor.' Historiadores como Hilary Beckles, Barbara Bush, Verene Shepherd e Stella Dadzie lançaram luz sobre essa história esquecida, mas há mais a ser feito. 'Por muito tempo se disse que elas seriam muito parciais', disse Otele sobre as historiadoras negras. 'Mas há um punhado de mulheres negras surgindo que estão trabalhando nessa história e agora estão no meio da carreira. Espero que isso abra a porta.'