Numa história tão antiga quanto o tempo (ou pelo menos tão antiga quanto o casamento), uma mulher de 40 anos escreve à colunista de conselhos Annalisa Barbieri sobre seu marido de 60 anos que, apesar de seis anos de parceria, um bebê e terapia de casal, ainda não se dá ao trabalho de descobrir como tornar o sexo agradável para ela. Ela demora para chegar ao orgasmo; ele fica impaciente e desiste - depois de terminar primeiro, naturalmente. Ela tem problemas de saúde que tornam o sexo doloroso; ele é respeitoso quanto a isso, mas defensivo e pouco gentil quando ela pede para tentar coisas novas. Ele comprou brinquedos sexuais, o que ela interpreta corretamente como terceirizar o trabalho que ele não se dá ao trabalho de fazer.

O marido, um veterano amante de "muitas" mulheres, aparentemente se resignou à masturbação, o que ela não está disposta a aceitar. Ele sugere que ela durma com outros homens, desde que ela não conte a ele - porque nada diz intimidade como segredo sancionado. A mulher, que já teve uma vida sexual ativa cheia de antecipação e vínculo emocional, só quer isso com o marido. Barbieri, com a ajuda do psicoterapeuta de sexo e relacionamentos Silva Neves, sugere que o problema é a conexão - ou melhor, a falta de curiosidade do marido sobre o corpo dela. Neves especula que pode ser envelhecimento, baixa energia ou baixa testosterona, mas observa que não parece que ele não se importa - apenas que ele não acha que pode atender às necessidades dela.

O conselho? Ter conversas adequadas, considerar sair dos roteiros sexuais habituais, e se ele não se envolver, isso é uma resposta. Barbieri não mede palavras: "O sexo muitas vezes mostra rachaduras nos relacionamentos para as quais queremos fechar os olhos. Não parece que vocês dois já foram sexualmente compatíveis." Ela pergunta o que vale a pena salvar. É uma pergunta justa, já que a ideia de esforço do marido é comprar brinquedos e sugerir que a esposa o traia - com a bênção dele, desde que seja secreto. Em algum lugar, um terapeuta sexual está assentindo sabiamente.