A memória, ao que parece, é menos como uma gravação impecável e mais como uma brincadeira de telefone sem fio com o próprio cérebro. Nova pesquisa da Universidade de Sydney, de Helen Paterson, confirma que as recordações de eventos únicos – uma bolsa sendo roubada, por exemplo – diferem daquelas de eventos repetidos ou contínuos, como violência doméstica e familiar. Inovador, nós sabemos.

Paterson, professora associada de psicologia forense, descobriu que testemunhas de eventos repetidos tendem a relatar mais 'detalhes do tipo essência' – a essência geral do que normalmente acontece – às vezes confundindo um episódio com outro. 'Às vezes elas confundem um episódio com outro', disse ela, o que é uma maneira educada de dizer que nossos cérebros não são ótimos em arquivar traumas recorrentes.

Isso tem implicações sérias para vítimas sobreviventes em tribunal. Advogados de defesa frequentemente atacam inconsistências: 'Se elas estão dizendo isso no julgamento, é o básico da defesa dizer... elas cometeram essa inconsistência, portanto toda a memória delas não é confiável', disse Paterson. Mas sua pesquisa mostra que o que testemunhas de eventos repetidos relatam tende a ser altamente preciso – elas só podem misturar em qual episódio aconteceu. Então, quanto mais você é vitimizado, menos crédulo você parece aos outros. Encantador.

Por seu trabalho em ajudar a polícia e os tribunais a entenderem isso, Paterson recebeu um prestigioso prêmio Eureka na noite de quinta-feira na Prefeitura de Sydney, uma das 19 categorias. Estabelecidos em 1990, os prêmios Eureka do Museu Australiano homenageiam cientistas e comunicadores de ciência australianos. Paterson espera que o prêmio eleve as vozes das vítimas sobreviventes: 'Muitas vezes não damos a elas o apoio e o incentivo, e não acreditamos nelas e não as vemos como crédulas quanto deveríamos.'

Também entre os vencedores estava a professora associada Jane Tiller, da Universidade Monash, que impulsionou uma mudança legislativa proibindo seguradoras de vida de discriminar com base em resultados de testes genéticos. Aprovada em lei em abril, a proibição entra em vigor em 8 de outubro, removendo uma 'barreira crítica' que impedia as pessoas de fazer testes genéticos por medo de discriminação de seguros. 'A maior razão pela qual as pessoas não querem esse teste é o medo de discriminação de seguros', disse ela. Agora, os cientistas podem usar a genômica para prevenir condições como câncer e doenças cardíacas, e talvez até encontrar jovens em alto risco antes que seja tarde demais.

A professora Georgina Long, que ao lado do falecido professor Richard Scolyer foi nomeada Australiana do Ano em 2024, ganhou o prêmio Eureka de pesquisa científica por seu trabalho pioneiro em melanoma. Ela se junta a uma lista ilustre de vencedores do Eureka Australianos do Ano: professor Tim Flannery, professor Ian Frazer, professora Michelle Simmons e o falecido professor Alan Mackay-Sim.

Outros vencedores da noite de quinta-feira incluíram a ferramenta de previsão de ondas de calor marinhas da Austrália (desenvolvida pela CSIRO e pelo Bureau de Meteorologia), o Grupo de Inovação do Microbioma Feminino (uma colaboração de Melbourne que descobriu que a vaginose bacteriana é sexualmente transmissível – um fato que surpreenderá exatamente ninguém que tem prestado atenção) e o professor Yansong Shen, da UNSW, que desenvolveu um processo de baixo custo para recuperar metais valiosos e silício de painéis solares usados – porque reciclar é legal, até na ciência.

Kim McKay, diretora e CEO do Museu Australiano, resumiu: 'Os vencedores deste ano estão enfrentando alguns dos nossos maiores desafios: proteger nosso meio ambiente, avançar a saúde, informar políticas públicas e inspirar a próxima geração de cientistas. Descobertas que mudam o mundo não acontecem da noite para o dia. Elas são construídas sobre anos de dedicação, colaboração e investimento sustentado.' De fato, elas também são construídas sobre o ocasional 'não me lembro em qual episódio foi, mas com certeza aconteceu'.