No início deste mês, Olivia Rodrigo celebrou um marco de streaming no Spotify usando um vestido boneca floral, calcinhas rosa e botas de couro até o joelho em Barcelona. A internet, previsivelmente, perdeu a cabeça. Alguns acusaram a cantora de promover "pedo core"; outros defenderam seu direito de usar o que quiser. Rodrigo, por sua vez, citou as inspirações Kat Bjelland e Courtney Love, que usaram o mesmo visual nos anos 90 para se opor à fetichização da infância. O que, claro, também as fez serem criticadas - um crítico de 1994 descreveu o estilo de Love como o de uma "Baby Jane decrépita cuja noção de fazer compras é deitar-se num contêiner fora de um bordel pedófilo". Sutileza aparentemente não era o forte do crítico.

Mas o vestido boneca tem sido um ímã para pânico moral por décadas, observam historiadores da moda, e sua história é muito mais bagunçada do que qualquer opinião superficial. Na era vitoriana, algumas crianças usavam espartilhos. Nos anos 1920, vestidos retos para adultos eram considerados infantis. Roupas curtas e fluidas começaram como roupas práticas para crianças brincarem - uma peça de 1855 de um menino americano parece algo que Rodrigo ou Sabrina Carpenter usariam em turnê hoje. Adultos começaram a adotar o estilo nos anos 1860, quando as mulheres trocaram a sela lateral por bicicletas e precisavam de roupas mais curtas e funcionais. Os críticos imediatamente surtaram, alegando que parecia que as mulheres estavam mostrando a roupa íntima. Eventualmente, as calças culotes surgiram.

Nos anos 1950 e 60, a silhueta foi reconceituada como lingerie, graças à designer Sylvia Pedlar, que cortou camisolas ao meio durante a escassez de tecidos da Segunda Guerra Mundial. O estilo recebeu o nome do filme de 1956 "Baby Doll", sobre uma jovem de 19 anos forçada a se casar com um homem mais velho, cimentando sua associação com a hiperssexualização de mulheres jovens. A moda, como observa o professor da Rutgers Daniel Cook, tende a ser um teste de Rorschach para ansiedades sociais. Cada nova categoria etária - "adolescente", "subadolescente", "pré-adolescente", "tween" - tem sido uma negociação sobre quando é aceitável exibir o corpo de uma garota. Agora, com as redes sociais borrando as linhas entre moda infantil e adulta, lojas como Lululemon e Zara são populares entre garotas, enquanto a Limited Too vende saias plissadas em tamanhos adultos.

Em meio ao frenesi, Courtney Love republicou uma série de reels no Instagram em defesa de Rodrigo. "Você pode tirar meu vestido boneca", dizia um, "das minhas mãos frias e mortas". Então o espírito de desafio continua vivo, mesmo que o hábito cultural de examinar os guarda-roupas das mulheres também persista.