Vladimir Putin disse a repórteres que acha que a guerra na Ucrânia está terminando - uma declaração que veio poucas horas depois de ele presidir o Desfile do Dia da Vitória mais enxuto em Moscou em anos, onde nem um único tanque passou, provavelmente porque estavam todos ocupados em outro lugar.

"Acho que o assunto está chegando ao fim", disse Putin sobre o conflito, o mais mortal na Europa desde a Segunda Guerra Mundial, que matou centenas de milhares, deixou partes da Ucrânia em ruínas e drenou a economia russa. Ele acrescentou que estaria disposto a negociar novos acordos de segurança para a Europa, e que seu parceiro de negociação preferido seria o ex-chanceler alemão Gerhard Schröder - uma escolha que não surpreenderá ninguém que se lembre do relacionamento aconchegante de Schröder com os gasodutos russos.

As forças russas até agora não conseguiram tomar toda a região de Donbas, embora Moscou controle pouco menos de um quinto do território ucraniano. Os avanços diminuíram este ano, o que pode explicar o súbito otimismo de Putin sobre um fim. Falando no sábado, ele criticou o apoio ocidental a Kiev, dizendo que o Ocidente "começou a aumentar o confronto com a Rússia, que continua até hoje". Ele acrescentou: "Passaram meses esperando que a Rússia sofresse uma derrota esmagadora... Não deu certo. E então ficaram presos nessa rotina e agora não conseguem sair dela".

Putin disse que estava pronto para se encontrar com Volodymyr Zelenskyy em um terceiro país - mas apenas quando todas as condições para um acordo de paz estivessem resolvidas, que é sua maneira usual de dizer "ainda não". Perguntado sobre conversas com europeus, ele destacou Schröder, um amigo próximo com laços profundos com os negócios russos, incluindo os gasodutos Nord Stream. Zelenskyy, que certa vez chamou Schröder de "nojento", provavelmente não ficará animado.

As declarações vieram um dia depois de Rússia, Ucrânia e Donald Trump anunciarem um cessar-fogo de três dias, que imediatamente viu acusações mútuas de violações em meio a atividade contínua de drones e baixas civis. O Kremlin disse que não há planos para prolongar a trégua, embora ambos os lados tenham concordado em trocar 1.000 prisioneiros cada. Putin disse que a Rússia ainda não recebeu nenhuma proposta sobre a troca.

O Desfile do Dia da Vitória deste ano foi vastamente menor que os anteriores, sem nenhum equipamento militar em exibição pela primeira vez em quase duas décadas e apenas um punhado de dignitários estrangeiros - líderes da Bielorrússia, Malásia, Laos, Uzbequistão e Cazaquistão - presentes. No ano passado, o chinês Xi Jinping apareceu; este ano, ele aparentemente tinha outros planos. Na semana anterior, Moscou ameaçou bombardear o centro de Kiev se o desfile fosse perturbado, o que é uma maneira de garantir um evento pacífico.

Zelenskyy, por sua vez, observou o sábado como o Dia da Europa, chamando a Ucrânia de "parte inseparável da família europeia" e observando que a Europa esteve ao lado da Ucrânia "desde os primeiros dias da guerra em grande escala". Ele acrescentou: "Isso não é caridade - é uma escolha feita pelos europeus: ficar do lado dos corajosos e fortes". O presidente do Conselho Europeu, António Costa, disse recentemente que há "potencial" para a UE negociar com a Rússia sobre a futura arquitetura de segurança da Europa - embora, dados os parceiros preferidos de Putin, essa conversa possa ser curta.