O governo galês anunciou planos para proibir os tradicionais pilones de aço de suportar linhas elétricas sob o seu controlo, favorecendo em vez disso o conceito radical de enterrar cabos no subsolo — uma medida que aparentemente não surpreendeu ninguém que alguma vez tenha olhado para um pilone e pensado: "Será que aquilo podia ser menos visível? Sim."

Os ministros do Plaid Cymru estão por trás da proposta, que era uma promessa eleitoral antes das eleições para o Senedd em maio. O entusiasmo do partido pelo enterramento de cabos pode ou não estar relacionado com a feroz reação local contra uma rede de pilones planeada no Vale do Towy, onde políticos locais do Plaid têm-se manifestado ruidosamente contra as propostas. A democracia, ao que parece, consiste em grande parte em decidir onde se colocam os fios.

A empresa por trás desses planos, a Green Gen Cymru, disse acolher bem a consulta e apoia a utilização da "infraestrutura certa no lugar certo" — uma frase que soa razoável até nos lembrarmos de que "o lugar certo" aparentemente nunca é perto da vista de alguém.

Ao lançar a consulta na sexta-feira, o governo galês afirmou que o enterramento de circuitos elétricos poderia "reduzir o impacto visual da infraestrutura elétrica, ajudando a proteger paisagens e amenidades locais". Também observou que os cabos enterrados poderiam ser menos vulneráveis a condições meteorológicas severas e reduzir potenciais impactos sobre aves e outras espécies selvagens. O documento da consulta reconheceu, no entanto, o senão: o enterramento é "geralmente considerado mais caro de instalar e manter e pode criar impactos durante a construção". Por outras palavras, é melhor para tudo exceto para o orçamento e para a confusão temporária.

A política ainda permitiria postes de madeira ou "infraestrutura equivalente menos intrusiva" para suportar cabos aéreos onde o enterramento não seja viável — porque um poste de madeira é basicamente um pilone que foi à terapia e decidiu ser menos dramático.

A Green Gen tem planos para três grandes rotas de linhas elétricas que ligam parques eólicos terrestres planeados pela sua empresa irmã Bute Energy à rede elétrica mais ampla. Anteriormente, afirmou que investiria quase mil milhões de libras até 2030, com propostas que afetam partes de Carmarthenshire, Ceredigion, Powys e Shropshire. Mas enfrentou considerável oposição em certas comunidades, com grupos que representam centenas de proprietários de terras a levar a empresa a tribunal em 2025 — uma batalha legal que presumivelmente fez todos sentirem-se muito energizados.

Numa tentativa de responder às preocupações, a Green Gen revelou recentemente um pilone "esguio e compacto" de 22 metros (72 pés), concebido "com a paisagem galesa em mente". A empresa tem dito consistentemente que enterrar os seus cabos custaria em média 4,5 vezes mais do que colocá-los à superfície, o que significaria 500 milhões de libras extra para o projeto Towy Usk entre Carmarthenshire e Powys. É muito dinheiro para gastar em não ver algo.

O Ministro da Energia galês, Adam Price, disse: "Sabemos que as mudanças necessárias na forma como a energia é gerada e utilizada no País de Gales exigirão nova infraestrutura de rede; no entanto, também sabemos que a nova infraestrutura pode ter impacto nas comunidades e no ambiente que a acolhe. Queremos ver infraestrutura sensivelmente concebida para minimizar os impactos no ambiente e nas comunidades que a acolhem, oferecendo ao mesmo tempo o máximo de benefícios para o País de Gales." Uma declaração que consegue ser simultaneamente verdadeira e completamente evasiva, o que é o equivalente político de um encolher de ombros.

Andrew Hardcastle, diretor executivo da Green Gen Cymru, disse: "Acolhemos com agrado a consulta do governo galês e o seu reconhecimento da importância de fornecer a infraestrutura elétrica de que o País de Gales necessita de uma forma sensível às nossas paisagens, ambiente e comunidades. Como todas as empresas de rede no Reino Unido, acreditamos que não existe uma solução única para desenvolver novas redes elétricas. A nossa abordagem é usar a infraestrutura certa no lugar certo, recorrendo a uma variedade de tecnologias, incluindo cabos subterrâneos, postes de madeira e o nosso monopo de perfil mais baixo recentemente anunciado."