WASHINGTON - Em uma jogada que parece o enredo do plano de energia de um vilão de James Bond, mas é apenas mais uma terça-feira para a Big Tech, a startup Overview Energy assinou um acordo para transmitir energia solar do espaço para os data centers da Meta. As empresas anunciaram em 27 de abril que a Overview transmitirá até um gigawatt de energia para as instalações da Meta quando fontes terrestres, como, você sabe, o sol tirando uma folga, estiverem indisponíveis.

A Overview saiu do stealth em dezembro passado, exibindo orgulhosamente sua tecnologia que coleta energia solar no espaço e a envia para a Terra via lasers infravermelhos. Esses lasers terão como alvo fazendas solares terrestres existentes, permitindo que gerem energia mesmo quando o sol não está cooperando - como à noite, quando a maioria das pessoas espera escuridão. A empresa planeja uma demonstração no espaço em 2028, com serviço comercial já em 2030.

“A tecnologia solar espacial representa um passo transformador ao alavancar a infraestrutura terrestre existente para entregar energia nova e ininterrupta da órbita”, disse Nat Sahlstrom, vice-presidente de energia e sustentabilidade da Meta, em uma declaração que poderia servir como um cartão de bingo de jargões tecnológicos.

A Meta está correndo para encontrar energia para seus data centers de IA, que aparentemente têm um apetite insaciável por eletricidade. A empresa já assinou acordos para energia geotérmica e nuclear, e no mesmo dia anunciou um acordo separado para comprar 100 gigawatts-hora de armazenamento de energia da startup de baterias Noon Energy. Por que não apostar em todas as fontes de energia possíveis, exceto talvez uma roda de hamster?

Essa frenesi por energia levou algumas empresas a considerar o extremo máximo: mover data centers para o espaço. Várias empresas entraram com pedidos na Comissão Federal de Comunicações para implantar constelações massivas de satélites como data centers orbitais, aproveitando a energia solar que está sempre ligada - se você ignorar o eclipse ocasional.

A SpaceX entrou com pedido em janeiro para lançar até 1 milhão de satélites, alegando que alcançariam “eficiência transformadora de custo e energia” enquanto reduziriam o impacto ambiental. A Blue Origin seguiu em março com planos para 51.600 satélites de data center orbital, citando “energia solar sempre ativa”. A Starcloud, uma startup dedicada a data centers orbitais, levantou US$ 170 milhões em 30 de março, logo após entrar com um pedido na FCC para até 88.000 satélites.

A Overview Energy, no entanto, acha que colocar data centers no espaço é simplesmente bobo. “Coloque a coisa que não precisa de manutenção e pode durar muito tempo no espaço”, disse o CEO Marc Berte em uma entrevista em dezembro. “Coloque a parte de energia no espaço, em vez de colocar a parte de processamento no espaço.” Em outras palavras, envie os lasers, não os servidores.

Até alguns observadores concordam. “Essa abordagem faz mais sentido para mim: transmitir energia para instalações solares existentes no solo, para que possam gerar eletricidade mesmo depois que o sol se põe”, disse Micah Walter-Range, presidente da consultoria Caelus Partners, ao SpaceNews. Operadores de data centers podem ser clientes âncora importantes para empresas de energia solar espacial como a Overview. “Parece mais fácil do que colocar os data centers no espaço.” De fato, porque consertar um servidor em órbita é muito mais difícil do que consertar um laser no solo - embora ambos pareçam um saco.