K'gari, a maior ilha de areia do mundo, é famosa por seus deslumbrantes lagos de água doce — que, de acordo com uma nova pesquisa da Universidade de Adelaide, têm um histórico de fazer desaparecimentos mesmo quando está chovendo torrencialmente.

Ao investigar sedimentos antigos dos lagos, pesquisadores descobriram que vários dos maiores e mais profundos lagos de K'gari secaram há cerca de 7.500 anos, durante o Holoceno médio — um período que, ironicamente, era mais úmido que o atual. “Nossa pesquisa mostra que há cerca de 7.500 anos, numa época de maior pluviosidade e muito depois do fim da última Era do Gelo, alguns dos lagos mais profundos de K'gari secaram”, disse o pesquisador principal, Professor Associado John Tibby, cujo estudo foi publicado na *Quaternary Science*.

A secagem de lagos não é exatamente notícia de primeira página na Austrália, onde as secas transformam regularmente corpos d'água em bacias de poeira. Mas essa seca em particular aconteceu durante uma era relativamente chuvosa, o que é como se queimar num dia nublado. “Os lagos de K'gari que estudamos existem há entre 35.000 e 55.000 anos, mas o evento de secagem que identificamos ocorreu inesperadamente durante uma época de chuvas fortes”, disse Tibby.

O culpado? Padrões de vento, aparentemente. O coautor Dr. Harald Hofmann, da CSIRO, explicou que os ventos alísios de sudeste antigos podem ter direcionado a chuva para a vizinha Minjerribah em vez de K'gari. “Pesquisas anteriores mostram que Minjerribah também experimentou eventos de chuva intensa nessa época, mas, por causa dos ventos alísios de sudeste que ocorriam na época, a chuva vinda do sul alimentou apenas os lagos em Minjerribah, não os de K'gari”, disse ele. Então a chuva caiu, só não onde era necessária — um caso clássico de entrega meteorológica errada.

Os pesquisadores identificaram o antigo evento de secagem estudando testemunhos de sedimentos de alguns dos lagos mais antigos de K'gari. “O sedimento de um lago é como um diário onde o que acontece dentro e ao redor do lago é registrado”, disse Tibby. A entrada do diário entre 7.500 e 5.500 anos atrás diz: “Sem água aqui — tente novamente mais tarde.”

As descobertas levantam questões preocupantes sobre o futuro dos lagos, especialmente com as mudanças climáticas trazendo chuvas mais intensas, porém menos confiáveis. “Com um clima que se espera que fique mais seco, mas com chuvas mais intensas, simplesmente não sabemos se esses lagos correm risco de secar”, disse Hofmann.

Para o povo Butchulla, os Proprietários Tradicionais de K'gari, os lagos são conhecidos como “Os Olhos de K'gari” e carregam profundo significado cultural e espiritual. O coautor e homem Butchulla Conway Burns colocou poeticamente: “Quando você está diante dos lagos de K'gari, você não vê meramente reflexos do céu e da floresta; você vê a alma do País olhando de volta para você.”

Então, enquanto os cientistas coçam a cabeça sobre os padrões climáticos antigos, a mensagem é clara: Esses lagos são preciosos, vulneráveis e não devem ser considerados garantidos — mesmo quando está chovendo canivetes.