Num canto poeirento do assentamento informal Organic Market, em Joanesburgo, um grupo de homens se reuniu para abordar um problema que assola a África do Sul há gerações: homens batendo em mulheres. Coisa revolucionária, sabemos.

"Eu vejo homens batendo em mulheres o tempo todo", diz Kgomotso Mathekga, 30 anos, porque aparentemente isso precisava ser dito em voz alta. "Especialmente quando os dois estão bêbados." O próprio Mathekga admite ter agarrado e esbofeteado sua namorada durante uma discussão — uma confissão oferecida com o tipo de franqueza que sugere que ele descobriu recentemente a introspecção. "Agora sinto dor", continua. "Terminamos e não vejo mais meu filho. Sinto que contribuí para os problemas da África do Sul, em vez de ser o cavalheiro que sei que sou." O cavalheiro que ele sabe que é, presumivelmente, estava de licença sabática.

O encontro é organizado pela Father A Nation, uma organização sem fins lucrativos que trabalha com homens e meninos para promover a masculinidade positiva — uma expressão que não deveria precisar existir, mas absolutamente existe. Num bar próximo, os homens puxam cadeiras formando um círculo na poeira enquanto Itumeleng Stephen Tamaga, conhecido localmente como Bra Steve, fica no centro. O grupo aplaude e vibra. Alguns bebem cerveja em garrafa. "Escutem, pessoal", diz Bra Steve. "Devemos nos unir para combater a violência de gênero e o feminicídio." É um discurso convincente, proferido num ambiente onde a plateia está pelo menos sóbria o suficiente para ouvir.

O timing não é coincidência. A África do Sul enfrenta uma raiva renovada por casos de feminicídio e violência contra mulheres, após a descoberta dos corpos de 12 mulheres ao longo de três meses em Ekurhuleni, perto de Joanesburgo. O país tem uma das maiores taxas de homicídio do mundo, com 5.427 pessoas assassinadas entre abril e junho deste ano. Segundo a Comissão de Direitos Humanos da África do Sul, 569 mulheres foram mortas nesse período — uma média de seis por dia — e outras 1.052 sobreviveram a tentativas de homicídio. Um relatório de 2022 do Conselho de Pesquisa em Ciências Humanas constatou que mais de 35% das mulheres sul-africanas sofreram violência física ou sexual, muitas vezes de seus próprios parceiros íntimos. Então sim, a reunião no bar provavelmente está atrasada.

O presidente Cyril Ramaphosa reconheceu que seu governo não fez o suficiente e anunciou medidas que espera que possam fazer as mulheres se sentirem mais seguras, incluindo melhor iluminação pública e uma revisão de casos não resolvidos. Zizipho Mtwesi, coordenador de projetos da Father A Nation, não está impressionado. "Quando penso em todos esses assassinatos recentes em Joanesburgo, fico com raiva", diz ele. "Por que temos que esperar que isso aconteça para agirmos?" Uma pergunta justa, embora se suspeite que a resposta envolva a frase "porque os governos geralmente reagem em vez de prevenir".

Craig Wilkinson, fundador do grupo, explica a metodologia: "Fazemos os homens falarem, processarem seus sentimentos. E enquanto fazem isso, essa cura acontece. E a segunda fase é ensinar e treinar a masculinidade positiva. Esperamos, em última análise, que isso elimine o flagelo da violência de gênero." Ele então se levanta, vai para o centro do grupo e profere o que só podemos supor ser um monólogo emocionante: "Você, como homem, é uma força poderosa para o bem. Você escolhe que tipo de homem quer ser. As mulheres precisam estar seguras." A Father A Nation atua em toda a África do Sul, realizando programas de treinamento em dezenas de escolas e faculdades, presumivelmente porque o currículo tradicional de "não bata em mulheres" não estava funcionando.

Enquanto isso, o mistério cerca a série de assassinatos que desencadeou este mais recente momento de reflexão. A polícia não descartou possíveis ligações entre algumas das mortes em Ekurhuleni, mas não disse que está investigando um assassino em série. Suspeitos em alguns casos compareceram ao tribunal. No Organic Market, as mulheres estão mais amedrontadas do que nunca. Do lado de fora de um barraco próximo, Linkie lava roupas num grande balde de metal e explica: "Não estamos seguras quando estamos fora de casa. Temos medo quando vemos um carro atrás de nós enquanto caminhamos. Sentimos medo. Sentimos s