Dois grandes sistemas de falhas ao longo da Costa Oeste da América do Norte - a zona de subducção de Cascádia e a falha de San Andreas - parecem estar em termos mais amigáveis do que os geólogos jamais imaginaram. Um novo estudo sugere que a atividade em uma falha pode desencadear terremotos na outra, levantando a deliciosa perspectiva de duplas-features sísmicas em intervalos próximos.
"Estamos acostumados a ouvir que o 'Grande Terremoto' - Cascádia - é essa coisa enorme e catastrófica", disse Chris Goldfinger, geólogo marinho da Universidade Estadual do Oregon e autor principal do estudo. "Acontece que não é o pior cenário possível." Porque, sabe, por que ter um terremoto apocalíptico quando você pode ter dois?
Para descobrir essa relação oculta, Goldfinger e seus colegas examinaram testemunhos de sedimentos do fundo do oceano, preservando cerca de 3.100 anos de história geológica. Eles se concentraram em turbiditos - camadas de sedimento deixadas por deslizamentos submarinos geralmente desencadeados por terremotos. Ao comparar camadas de turbiditos de ambos os sistemas de falhas, a equipe encontrou semelhanças na estrutura e no tempo, sugerindo uma potencial sincronização entre Cascádia e a falha norte de San Andreas.
Identificar o momento exato é complicado, mas Goldfinger observou três casos nos últimos 1.500 anos - incluindo o evento mais recente em 1700 - onde os dados sugerem que os terremotos ocorreram com minutos ou horas de diferença. Isso é o equivalente geológico de "precisamos conversar sobre seus planos".
Essa conexão tem grandes implicações para a preparação para desastres. "Poderíamos esperar que um terremoto em uma das falhas sozinho esgotaria os recursos de todo o país para responder a ele", disse Goldfinger. "E se ambos ocorrerem juntos, então você tem potencialmente São Francisco, Portland, Seattle e Vancouver todos em uma situação de emergência em um período de tempo comprimido."
Os cientistas há muito suspeitam que as falhas possam interagir, mas evidências do mundo real têm sido escassas - o único exemplo documentado aconteceu em Sumatra, onde dois grandes terremotos ocorreram com três meses de diferença em 2004 e 2005. O interesse de Goldfinger remonta a uma expedição de pesquisa em 1999, quando sua equipe derivou acidentalmente 55 milhas ao sul do Cabo Mendocino, na Califórnia, para a zona da falha de San Andreas. Em vez de cancelar a viagem, eles coletaram um testemunho de sedimento lá - e encontraram algo estranho.
Normalmente, os turbiditos mostram material grosso no fundo e sedimento mais fino no topo. Este testemunho tinha o padrão invertido: material grosso e arenoso acima de sedimento mais fino e siltoso. A equipe concluiu que a camada inferior se formou durante um grande terremoto de Cascádia, e o material mais grosso acima veio de um evento subsequente ao longo da falha de San Andreas próxima. A datação por radiocarbono confirmou que esses "dubletos" foram criados por terremotos próximos no tempo, não por réplicas ou eventos não relacionados.
Então, residentes da Costa Oeste, seu kit de emergência agora deve incluir um senso de ironia. O estudo contou com contribuições de pesquisadores da Oregon State, NOAA, Universidade de Washington, Springer Nature Group na Alemanha, Departamento de Conservação da Califórnia e Instituto Andaluz de Ciências da Terra na Espanha.