Cientistas Confirmam que Sorvete é Melhor Quando Não Substituído por 'Sistema de Proteínas' de Laboratório
A 'sobremesa congelada' cheia de proteínas finge ser sorvete, esgota em 28 minutos e deixa especialistas se perguntando se nossos metabolismos são as verdadeiras vítimas.
O sorvete, aquela alegria atemporal documentada pela primeira vez em uma receita do século XVII de leite, água, açúcar e cidra cristalizada ou abóbora, entrou em sua crise existencial mais profunda. Por séculos, a fórmula mal mudou - até mesmo o Halo Top, o queridinho das dietas que destronou a Ben & Jerry's em 2017, apenas trocou por leite desnatado e adoçantes artificiais. Mas agora surge a David, a empresa de barras de proteína, com sua "sobremesa congelada" - uma manobra legal porque a FDA nunca confundiria essa mistura com sorvete de verdade. Em vez de creme e leite, ela ostenta um "sistema de proteínas", um "sistema de estrutura", um "sistema de gordura" e um "sistema de sabor", todos construídos a partir de ingredientes ultraprocessados, como isolado de proteína do soro do leite e "gordura vegetal modificada". Os únicos ingredientes naturais integrais no rótulo de baunilha? Água, sal e fava de baunilha. Apesar dessa orquestra química, os números nutricionais são inegavelmente sedutores: 210 calorias por pinta, menos de 1 grama de açúcar e 30 gramas de proteína. É rico, cremoso e - quando lançado em junho - esgotou em 28 minutos. (A empresa não revela quantas unidades foram.)
A David é o exemplo perfeito de uma nova onda de sobremesas congeladas "saudáveis", parte de uma aposta mais ampla de que os americanos querem que cada pedaço seja um milagre multitarefa. Brendan Niemira, do Instituto de Tecnólogos de Alimentos, listou a lista de desejos: saboroso, seguro, baixa caloria, alto teor de proteína, probiótico, cheio de ômega-3 - tudo. E os gigantes da alimentação estão atendendo. A PepsiCo lançou uma bebida de aveia em pó com 15 gramas de proteína, além de uma Pepsi prebiótica com 3 gramas de fibra que não tem gosto de Metamucil. A Kraft Heinz lançou macarrão com queijo com 17 gramas de proteína e 6 gramas de fibra através de uma "massa proprietária enriquecida com proteína e fibra". A Nestlé oferece uma "bebida nutricional de suporte à fome pré-refeição" de 45 calorias feita quase inteiramente de ingredientes industriais. Na conferência do Instituto de Tecnólogos de Alimentos deste verão, seu intrépido repórter se deliciou com "pizza de churrasco melhor para você" com crosta de isolado de proteína de trigo, "refrigerante de saciedade" de melancia e limão com fibra de milho, e iogurte congelado com peptídeos de fava para acelerar a recuperação pós-treino.
Mas aqui está o problema: os americanos estão desconfiados dessa coisa. Uma pesquisa de junho de 2025 descobriu que mais de 60% acreditam que alimentos ultraprocessados são viciantes. Especialistas temem que emulsificantes, conservantes e substitutos de açúcar possam estar mexendo com nossos metabolismos, mesmo que a FDA - focada em toxicidade e risco de câncer - os tenha liberado. O medo é que um "sistema de proteínas" fabricado não seja o mesmo que, digamos, o sistema de proteínas das lentilhas. E não vamos esquecer que muitos UPFs ainda contêm gordura, açúcar e sal. Pegue o SunChips Fiber, lançado em março: um saco de 7 onças (sete porções, supostamente) tem 21 gramas de fibra - a maior parte da sua necessidade diária - mas também 910 calorias. E isso antes de chegarmos à extrusão, o processo industrial que pulveriza grãos, que alguns pesquisadores suspeitam que aumente a insulina mais do que grãos integrais.
A ciência, infelizmente, está ficando para trás da criatividade da indústria. A Nestlé usa "microgéis de proteína do soro do leite" para evitar que sua bebida de fome engrosse. A David usa glicerol propoxilado esterificado (EPG), uma gordura não digerível liberada pela FDA em 2015, que pode causar "vazamento anal" em doses muito altas - um destino que se abateu sobre a olestra nos anos 90. A Frito-Lay patenteou "extrusão de fluido supercrítico", usando menos calor para entregar frutas e vegetais em um lanche crocante. Mas até que os especialistas possam identificar exatamente por que esses alimentos processados saudáveis são problemáticos, estamos todos no limbo. As empresas continuarão produzindo novas misturas brilhantes, e os especialistas continuarão nos alertando sem dados concretos. Enquanto isso, os consumidores votam com suas carteiras: a David vendeu US$ 131 milhões em barras de proteína no primeiro ano.
A maioria dos americanos precisa de mais proteína? Não. Poderiam obtê-la sem gastar US$ 9 em uma pinta da David? Certamente. David Katz, de Yale-Griffin, chama isso de "um desperdício para todos os envolvidos, exceto para aqueles que vendem, sem dúvida, com margens de lucro extremamente altas". O CEO da David,
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