Os Estados Unidos descobriram uma maneira inovadora de aprofundar sua dependência da China: bombardear um país amigo da China e depois pedir a ela os minerais necessários para fabricar mais bombas. Enquanto os EUA trabalham para reconstruir seus estoques de mísseis e munições após o uso intenso na guerra com o Irã, os contratantes de defesa se veem precisando de minerais de terras raras e ímãs – exatamente o tipo que a China domina na produção global.
A China, que nunca perde uma oportunidade de alavancagem, passou o último ano apertando o controle sobre essas exportações, cortando o fornecimento para empresas ligadas a militares estrangeiros e pressionando o governo Trump. No ano passado, a China usou seu estrangulamento mineral como moeda de troca até que os EUA concordassem em reduzir tarifas. Christopher Padilla, ex-funcionário comercial do governo Bush, observa que a decisão dos EUA de queimar munições de precisão no Irã só aumentou essa alavancagem. Seu resumo: "Cada míssil disparado contra o Irã nos torna mais dependentes, no curto prazo, da China e de seus minerais de terras raras."
Espera-se que a guerra do Irã domine as negociações EUA-China em Pequim esta semana. Os EUA querem que a China – parceira estratégica do Irã – ajude nas negociações, enquanto a redução dos estoques de munições levanta questões constrangedoras sobre a capacidade americana de defender Taiwan ou embarcar em outras aventuras militares. Estimativas do Departamento de Defesa e do Congresso mostram que os EUA usaram cerca de metade de seus mísseis de cruzeiro stealth de longo alcance e cerca de dez vezes a produção anual de mísseis de cruzeiro Tomahawk desde o início da guerra do Irã no final de fevereiro. Portanto, a tarefa imediata é simplesmente reconstruir – uma tarefa que, por enquanto, exige uma batida educada na porta de Pequim.